Foram as restrições financeiras provocadas pela Troika que levaram Ricardo Sena a decidir criar a WKT-Sistemas de Informação, uma empresa vocacionada para o desenvolvimento de soluções e prestação de serviços no domínio dos sistemas e tecnologias de informação geográfica.

Até aí este licenciado em Geografia e Planeamento Regional tinha desenvolvido a sua carreira no sector público, nas câmaras municipais de Loures, Odivelas e Albufeira. A lógica era, a partir de software open source, criar ferramentas informáticas que, com os custos mais baixos possíveis, melhorassem a actividade das autarquias.

Paralelamente, colaborava como consultor de sistemas de informação geográfica em várias empresas e participou no desenvolvimento de projectos como o Algarve Digital e Portal Geográfico, que eram postos à disposição de um conjunto vasto de autarquias. Mas o programa de assistência financeira da Troika levou a que se extinguissem entidades públicas que participavam nestes projectos e com as quais colaborava.

Ricardo Sena viu aí uma oportunidade profissional grande, deixou o seu emprego e tornou-se, em 2015, co-fundador, juntamente com Frédéric Lehodey, da WKT-Sistemas de Informação. A empresa, que recentemente se instalou na incubadora Startup Portimão, já tem clientes como os municípios de Faro, Portimão e Alcácer do Sal, a Universidade de Évora, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, a Agência Portuguesa do Ambiente e está, agora, a “diversificar para a área privada”. Trabalho não lhe falta, portanto.

Conforme explicou na última sessão do Beta Talk, embora se trate de uma actividade muito técnica, as aplicações que a sua empresa produz, na maior parte das vezes “à medida de cada cliente”, têm aplicações muito práticas. Ajudam, por exemplo, as câmaras a fazer “a identificação das luminárias existentes numa determinada zona e quantificar o custo de fazer a substituição das menos eficientes”.

Outro das muitas outras ferramentas informáticas que produziu é utilizada em todo o país e permite fazer o reporte das ocorrências em zonas litorais, nomeadamente, derrocadas, disponibilizando às entidades responsáveis por aquela área toda a informação necessária em tempo real que lhes permita tomar as medidas que se imponham, em função da urgência e da perigosidade de cada situação.

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