Rui Rio defendeu ontem, em Faro, a abertura de um debate “sério” sobre a regionalização, que leve a menos despesa pública e mais eficácia. O ex-autarca do Porto, que há 20 anos votou contra a regionalização, reconhece que hoje tem uma fotografia diferente da incapacidade que o país tem de se gerir. “O trabalho do poder local em prol dos outros tem sido notável. Em média, os municípios não se endividaram como o poder central”, explicou Rui Rio durante a conferência «Economia e Desenvolvimento Regional», realizado no Teatro Lethes e promovido pela ACRAL.

O ex-autarca do PSD frisou ainda a necessidade da aplicação do princípio da subsidiariedade. “Falta conseguir que os partidos políticos se consigam entender em prol do desenvolvimento regional”, disse.

Por seu turno, Álvaro Beleza, do PS, defendeu a criação de círculos uninominais, que permitissem aos eleitores escolher quem defenda a sua região. “O sistema político precisa de uma reforma: menos partidocracia e mais deputados representantes”, garante. E essa reforma só poderá ser feita “pelos grandes partidos políticos, mas será necessário ter as pessoas nos lugares certos”, afirmou, apontando Rui Rio como uma parte da solução.

Já Rui Rio garante que a reforma dos partidos políticos é a mais “difícil de todas”. “É o mesmo que pedir ao perú para votar a favor do Natal”, brincou, salientando que não é na lei dos partidos que está a grande a alteração, é nas pessoas. “A credibilidade da política e justiça não é grande coisa, mas terá de ser pelos partidos políticos que a alteração tem de começar”, afirma.

Numa altura em que Portugal deveria estar a definir o que quer para os próximos 50 anos, falta ainda o consenso político. “O país tem Estado a mais, governo-dependência, pouca liberdade e pouca intervenção da sociedade civil”, assegura Álvaro Beleza.

Foi ainda defendido que Portugal tem de procurar um caminho, onde seja possível unir os povos de língua portuguesa, uma vez que a comunidade lusófona deverá ser um pólo estratégico para o país.

A conferência contou com a moderação de Vitor Norinha, d’ O Jornal Económico. Esta foi a primeira de três conferências que a ACRAL vai realizar este ano, no âmbito das «Conferências Algarve 21». “Sociedade que não debate é uma sociedade rendida. Sociedade que não debate é uma sociedade adormecida”, defendeu Álvaro Viegas, presidente da ACRAL, manifestando o desejo que esta primeira conferência seja “o despertar de todo o Algarve”.

O representante associativo afirmou ainda que é necessário lutar “contra a centralização dos serviços algarvios” e afirmar a região “com líderes fortes”.

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