A obrigatoriedade de teste PCR para deteção da covid-19 nos turistas que chegam a Portugal provenientes do Reino Unido deve acabar para garantir a competitividade do Algarve face a outros destinos concorrentes, defendeu hoje a principal associação hoteleira regional.

Em declarações à Lusa, o presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) sublinhou que a exigência de testes PCR aumenta consideravelmente o custo das férias, sobretudo para as famílias, o que pode ser um fator desfavorável para a região face a outros destinos turísticos concorrentes, como Espanha, que já anunciou que não os exigirá.

“O que está aqui em causa, na nossa perspetiva dos hotéis e empreendimentos, é que os testes exigidos são muito caros, custam três ou quatro vezes mais que os testes simples [de antigénio], e isso, para um destino turístico de famílias como é o Algarve, onera excessivamente as férias para os turistas”, afirmou Elidérico Viegas.

O presidente da AHETA defendeu, por isso, que, sendo o Reino Unido o país que tem a maior taxa de vacinação em toda a Europa”, o Governo poderia “aligeirar um pouco” esta exigência que “dificulta o intercâmbio turístico do Reino Unido para o Algarve”.

Segundo Elidérico Viegas, ao escolher um destino de férias, o mercado britânico vai verificar que a “família tem de pagar testes relativamente dispendiosos para a totalidade” dos elementos e “isso reflete-se no aumento do custo” da estadia, o que “retira competitividade [ao Algarve], face a destinos que não têm essa exigência”.

“Nós continuamos a exigir para entrar em Portugal testes PCR, que são aqueles mais sofisticados, e muita concorrência já anunciou que nem sequer vai exigir esses testes aos turistas oriundos do Reino Unido, designadamente a nossa vizinha Espanha”, argumentou.

Questionado sobre casos de concentração de turistas em aeroportos, como o de Faro, para poderem realizar os testes que lhes turistas regressar aos países de origem, aquele responsável garantiu que isso não se está a verificar com os hóspedes das unidades oficiais, aos quais é disponibilizada informação sobre laboratórios e formas de se submeterem aos testes.

“A maior parte dessas pessoas não estão hospedadas em hotéis e empreendimentos, são pessoas que ficaram em alojamentos particulares e segundas residências, que é também uma componente importante da nossa oferta e que, porventura, menos avisados ou conhecedores dessas exigências, deixam para o aeroporto a elaboração desses testes”, justificou.

Elidérico Viegas acrescentou que “há um conjunto vasto de laboratórios em todo o Algarve, que estão perfeitamente identificados e são do conhecimento de todos os hotéis e empreendimentos turísticos, onde todos os turistas podem realizar estes testes”.

“Isto é do conhecimento de todos os hotéis e de todos os turistas que se hospedam nesses hotéis e empreendimentos turísticos classificados”, assegurou.

Questionado sobre a suspensão dos avisos de greve do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), Elidérico Viegas mostrou-se agradado com a decisão do Sindicato dos Inspetores de Investigação, Fiscalização e Fronteiras (SIIFF) de suspender “todos os avisos de greve” decretados até sexta-feira, dia em que se vai reunir com o ministro da Administração Interna.

“Numa altura em que começamos a dar os primeiros passos, após um longo período de atividade, tudo o que seja criar obstáculos e limitações à entrada de turistas, obviamente que não é bem-vindo”, concluiu.

Lusa

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