
Contexto e Desafios
A 30 de outubro, foi celebrado um Contrato Interadministrativo de Cooperação entre a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. O objetivo é desenvolver um estudo sobre soluções sustentáveis para a gestão dos resíduos urbanos na região do Algarve.
A região do Algarve enfrenta uma elevada produção de resíduos urbanos, associada à forte pressão turística, ultrapassando as 400 mil toneladas anuais. As taxas de deposção nos dois aterros existentes, em Loulé e Portimão, já excedem os 80% da sua capacidade.
O Presidente do Conselho Intermunicipal da AMAL, António Pina, destacou a preocupação crescente com o aumento dos resíduos e a escassez de espaço nos aterros. “A colaboração dos municípios da região com a APA tem sido sempre muito boa, e em boa hora a Ministra do Ambiente nos ouviu, o que nos permite avançar para uma solução, que deverá estar implementada até daqui a 7 anos, altura em que os 2 aterros vão chegar à sua capacidade máxima”, afirmou. Acrescentou que o desafio político é tomar decisões realistas que respondam às necessidades futuras, evitando basear-se em dados que não refletem a realidade.
José Pimenta Machado, Presidente da APA, recordou que em 2025 o Algarve produziu cerca de 8% do total nacional de resíduos. Enquanto a média nacional é de aproximadamente 500 kg de resíduos por pessoa, no Algarve este valor sobe para 752 kg. Os índices de reciclagem na região são significativamente inferiores à média nacional.
Detalhes do Estudo
A cerimónia decorreu na sede da AMAL, com a presença da Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, que presidiu ao ato. O estudo, intitulado “Soluções Técnicas para o Tratamento da Fração Resto na Região do Algarve”, será coordenado pela Autoridade Nacional de Resíduos e pela NOVA FCT, contando com uma equipa multidisciplinar e interuniversitária que inclui as Universidades do Algarve e de Aveiro.
Sobre o contrato agora assinado, José Pimenta Machado afirmou que “é importantíssimo porque nos vai ajudar a escolher o melhor caminho para uma solução que será tomada para décadas. Em suma, aguardamos que este estudo venha, de forma clara, ajudar-nos a decidir no que diz respeito a: qual a melhor solução em termos de tecnologias disponíveis; localizações alternativas para as infraestruturas e quais os impactes ambientais, sociais e económicos que pode trazer”.
Durante a sessão, o Professor Mário Ramos, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, apresentou os objetivos do estudo.
Declarações das Autoridades
A Ministra do Ambiente e Energia garantiu que a solução a encontrar será transparente e baseada em conhecimentos científicos. “Queremos resolver esta questão dos resíduos podendo utilizar a melhor tecnologia possível e com o menor impacto para as populações porque essa também sempre foi, e é, uma nossa preocupação”, declarou. Informou que o estudo deverá estar concluído dentro de 11 meses, permitindo tomar decisões fundamentadas. “Temos financiamento e, portanto, esta questão vai mesmo avançar”, assegurou.
Foto: AMAL




