O presidente da Câmara de Monchique considera que, qualquer dia,”temos de fazer um plano de reintrodução do homem na serra, como se fez para o lince”.

O desabafo do autarca surgiu nas Jornadas do Barlavento, que, organizadas pela associação Teia d’Impulsos, decorreram este fim de semana, em Portimão.

Rui André referiu que o seu concelho é abrangido pela Reserva Ecológica Nacional (REN), pela Reserva Agrícola Nacional (RAN) e por diversos outros instrumentos de gestão que, supostamente, existem para defender a natureza, “as borboletas, a fauna e a flora”, mas que “fizeram com que as pessoas se fossem embora”.

Isto porque criam dificuldades quase inultrapassáveis a quem lá vive ou quer instalar-se. Por exemplo, se uma família “quiser aumentar um compartimento da casa não pode” porque acaba de entrar em conflito com estes instrumentos de gestão.

No ano passado, o Governo resolveu avançar com um projeto-piloto de colocação de ‘cabras sapadoras’ em zonas florestais que, pelo simples facto de se alimentarem do que está no terreno, limpam muito mato e vegetação, dando assim um importante contributo para a prevenção de incêndios.

No entanto, alertou Rui André, se ele próprio ou alguém de Monchique quisesse colocar cabras nos seus terrenos, deparava-se, de seguida, com problemas muito práticos. Desde logo, seria preciso construir um curral para abrigar as cabras à noite, mas “não o podia fazer porque isso iria violar a REN e a RAN”. O mesmo aconteceria se quisesse construir uma queijaria para aproveitar o leite dos animais.

Mas, lamenta, da sua parte pouco mais pode fazer do que denunciar estas situações, uma vez que as autarquias não têm competência – e entende que deveriam ter – nas áreas florestais.

O autarca considera que é preciso fazer-se uma reflexão muito séria sobre tudo isto e avançar-se para a criação de medidas de discriminação positiva, que criem condições para que as pessoas possam viver na serra.

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