Agricultura e Pescas10

A Madre Fruta aumentou a produção em 40% e isso não provocou perturbações no mercado, com os preços a manterem “uma tendência de estabilidade ao longo do ano de 2015”, revela Tânia Kittler, diretora operacional da maior produtora nacional de framboesa
Com uma área superior a 153 hectares, segundo dados da DRAPA – Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve, a região produziu mais de 4 300 toneladas de framboesa em 2015, o equivalente a perto de 50% do total nacional.
A Madre Fruta, com sede no concelho de Olhão, produziu no ano passado “cerca de 3 500 toneladas de framboesa e perto de 100 toneladas de outros pequenos frutos”, um “aumento de cerca de 40% na produção” total em relação a 2014”, refere Tânia Kittler, diretora operacional daquela organização de produtores.
Apesar das temperaturas elevadas no mês de Agosto, acrescenta a responsável, “a qualidade dos pequenos frutos foi muito boa”.
Do total produzido, “cerca de 80%” foi encaminhado para exportação e “houve uma aposta acentuada no escoamento de produção sem qualidade de exportação para a industria transformadora, dividida entre mercado português e mercado espanhol», salienta Tânia Kittler, em resposta enviada por e-mail ao O ALGARVE.
Em relação aos preços, “houve uma tendência de estabilidade ao longo do ano de 2015”.
Segundo informação da DRAPA, os preços da framboesa podem oscilar entre “8-9 euros o quilo no Inverno” e os “5,5-6 euros em Maio e Junho”.
Para 2016, revela a diretora operacional da Madre Fruta, “estimamos um aumento da produção de cerca de 15%, reflexo de um aumento de área de sócios existentes, bem como da entrada de novos sócios”.
Com o aumento da área de cultivo, de “108 hectares» para perto de «130”, a organização de produtores estima “chegar às 4 000 toneladas” em 2016.
No ano em curso, a Madre Frutas prevê escoar entre “os 5-10%” da produção no mercado interno e “85%” no mercado externo, essencialmente nos do “Norte da Europa e Inglaterra”.
Este ano, a Madre Fruta vai beneficiar de um apoio para investimento “acima de 1 milhão de euros, na sua maioria para investimentos nas explorações dos sócios”, revela Tânia Kippler.

Framboesa vale 30 milhões por ano

Até 2006-2007, o morango era a principal cultura do Algarve dos chamados frutos vermelhos (framboesa, morango, amora). A partir daí, a produção de morango começou a regredir e alguns agricultores, nomeadamente os integrados no grupo Hubel-Madre Fruta, iniciaram a produção de framboesa em estufa ou túneis altos, utilizando a técnica de produção em substrato.
Atualmente, a Madre Fruta, com ligações à gigante mundial norte-americana Driscoll’s, é o maior produtor nacional de framboesa, com cerca de 800 colaboradores considerados permanentes e mais de 2 800 trabalhadores no pico de produção.
Os produtores associados da Madre Frutas cultivam essencialmente as variedades Maravilha e Alicia. Já os agricultores fora daquele agrupamento utilizam na sua produção, entre outras variedades, a Kweli e a Kwanza.
Estes últimos produtores fazem a comercialização através de empresas especializadas neste ramo de negócio, como a Freshfactor, a Special Fruit ou a Beirabaga.
No seu todo, a quase meia centena de explorações agrícolas existentes na região fatura cerca de 30 milhões de euros por ano e emprega, no pico da atividade, mais de 3 000 pessoas.
Apesar do incrível crescimento registado nos últimos cinco anos – cerca de 1 000% – esta cultura ainda “tem margem para crescer”, acreditam várias fontes contactadas pelo jornal O ALGARVE.
Espanha é o principal concorrente do Algarve, mas, com a ajuda do clima e da tecnologia, a estratégia dos produtores algarvios tem sido a de produzir nos meses anteriores aos do pico da produção no país vizinho. Os principais meses de produção na região são Fevereiro, Março e Abril e a maior concentração de estufas de framboesa no Algarve está localizada em Tavira, embora existem explorações entre aquele concelho e Cacela, em Vila Real de Santo António.

Partilhar: