“O turismo no concelho de Vila do Bispo é cada vez menos sazonal”


Entrevista ao presidente da Câmara de Vila do Bispo, Adelino Soares, no final da sessão de apresentação do projecto de Estratégia de Desenvolvimento Sustentável do concelho, que decorreu, esta Quinta-feira, 29 de Junho, no Centro Cultural de Vila do Bispo.

O Algarve Económico (A.E.) – Este foi o início de um processo que vai levar à definição de uma Estratégia de Desenvolvimento Sustentável para o concelho. Quando é que os planos que agora foram apresentados podem ficar concluídos?

Adelino Soares (A.S.) – Tivemos uma fase inicial de contratualização do serviço, que, neste momento, já está concluído e hoje o que fizemos foi a apresentação pública daquilo que é nossa intenção para o futuro. Vão ser elaborados o Relatório da Sustentabilidade, o Plano de Ambiente, o Plano de Turismo e estamos ainda a falar do Pacto de Autarcas e da Agenda 21 Local.

Pretendemos que tudo isto esteja concluído até ao fim do ano. No final de todo este trabalho, esperamos ficar com uma maior consciência da realidade do nosso território, a estes níveis, e que possamos também ter uma melhor perspectiva daquilo que queremos fazer para o futuro.

A.E. – Em termos de desenvolvimento económico em que direcções deve o concelho caminhar?

A.S. – Não esquecendo, naturalmente, a agricultura e pesca e os serviços, penso que a conclusão final deste trabalho é que devemos estar muito focados na questão do turismo. Trata-se do grande motor deste território, é uma actividade cada vez menos sazonal e isso nota-se perfeitamente, como consequência dos vários projectos que temos vindo a desenvolver e do excelente trabalho que têm feito, também, as empresas locais.

Essa situação permite que, durante longos períodos do ano, tenhamos cá mais gente e isso ajuda a reduzir a taxa de desemprego, fazendo com que as pessoas que aqui vivem tenham cada vez maior poder económico.

A.E. – No decorrer de debate que se travou depois da apresentação deste projecto falou-se muito na possibilidade e nas estratégias possíveis para captar os chamados turistas ricos. Parece não ter ficado muito convencido que o concelho tenha pelas suas características e limitações até em termos ambientais capacidade para conseguir grandes resultados a este nível.

A.S. –  Se isso envolvesse grandes construções, não poderíamos ir por aí porque o nosso território tem uma série de constrangimentos em termos ambientais. Se, com aquilo que já temos, conseguirmos captar algum desse turismo que tem maior capacidade económica será óptimo.

O que se pretendeu aqui foi analisar o que se está a passar, a esse nível, no Mundo, quais são as necessidades e exigências dessa gama turística e vermos até que ponto isso se poderá enquadrar no concelho da vila do Bispo.

Mas, para nós, o principal, em termos turísticos, para além do sol e praia, no período do Verão, é a questão do turismo de natureza, com tudo o que está associado: o turismo de saúde, as caminhadas, a questão do birdwatching, que para nós, é importantíssimo, a observação de cetáceos, a gastronomia, tudo aquilo que temos vindo a divulgar e a potencializar ao longo do tempo.

A.E. – Recentemente, foram aprovados, na Assembleia da República, vários projectos de diversos partidos, um dos quais até por unanimidade, que recomendam ao Governo que as regras fixadas para este concelho e os restantes da Costa Vicentina tenham uma maior atenção ao nível da compatibilização da protecção ambiental com a actividade económica. Que medidas concretas devem, na sua opinião, ser tomadas, a este nível?

A.S.  – O que é importante, neste momento, é que, na transposição dessas normas dos planos espaciais para o Plano Director Municipal, se possa ter uma visão diferente do território que não se teve até aqui. Esse é o grande desafio para os próximos três anos, que os planos directores municipais a concretizar possam incluir, também, não todas mas grande parte das normas daquilo que são os planos de ordenamento, os planos especiais, como o do Parque Natural da Costa Vicentina, o Plano da Orla Costeira e por aí fora. O que é importante, e foi isso que também estivemos aqui a fazer, é que tudo o que estivermos a desenvolver que é o estudo do território possa servir de apoio e justificação daquilo que nós pretendemos criar no nosso próximo plano director municipal.

A.E. – Nesta zona já estão concluídas as obras na Estrada Nacional 125. No entanto, em quase toda a sua extensão, há traços contínuos, pelo que, praticamente, não é possível aos condutores fazer ultrapassagens. Isso não vai trazer grandes problemas de acesso ao concelho?

A.S. –  Temos a vantagem das obras terem terminado, o resto do Algarve está pior porque ainda estão a decorrer, mas há essa desvantagem. Estamos a discutir essas questões com a Infraestruturas de Portugal, é ridículo este traço contínuo na EN 125 em todo o território do concelho e têm que ser feitas algumas alterações. Queremos melhorar esta questão porque o projecto como foi concretizado não está está bem feito, do nosso ponto de vista. Há determinados acessos a partir da EN 125 que têm de ser garantidos e há alternativas àquilo que está no terreno.

A.E. – Dos contactos que tem feito, pensa que há sensibilidade da parte da empresa para proceder a essas correcções?

A.S.  Penso que sim. Neste momento, estamos em fase de discussão desses pormenores e acredito que, depois de se passar este período do Verão mais conturbado, isso possa vir a acontecer.

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