
Os preços anunciados para venda de casas em Portugal registaram um aumento de 3,4% no terceiro trimestre de 2026, situando o preço médio nacional em 3.666 euros por metro quadrado, segundo o Observatório do Imobiliário do Doutor Finanças.
Este crescimento sucede a uma descida verificada no trimestre anterior. Por outro lado, o mercado de arrendamento manteve-se praticamente estável, com uma ligeira descida de 0,1%, fixando-se em 15,48 euros por metro quadrado.
A subida dos preços de venda estendeu-se à grande maioria do território nacional, com excepção dos distritos de Lisboa e Bragança, que apresentaram descidas de 1,4% e 0,8%, respectivamente. O maior aumento ocorreu em Viseu, com 12,5%, seguindo-se Castelo Branco com 9,9% e Viana do Castelo com 9,0%.
Lisboa continua a ser o distrito onde as casas são anunciadas a preços mais elevados, com um valor médio de 5.582 euros por metro quadrado, seguida por Faro (4.928 €/m²) e a Região Autónoma da Madeira (4.478 €/m²).
Relativamente aos segmentos de mercado, os imóveis mais acessíveis registaram o maior aumento percentual, com o primeiro quartil a subir 2%, para 265.000 euros. A mediana dos preços aumentou 1,3%, para 395.000 euros, e o terceiro quartil registou uma subida de 0,8%, fixando-se em 650.000 euros.
Bruno Coelho, administrador do Imobiliário do Doutor Finanças, explica que “a subida dos preços anunciados deve ser analisada com alguma prudência, porque não significa que todas as casas estejam a valorizar. O preço pedido por um proprietário nem sempre corresponde ao valor pelo qual o imóvel é vendido e as diferenças entre regiões e tipos de habitação continuam a ser significativas”.
O mercado imobiliário apresenta ainda sinais de maior seletividade por parte dos compradores. No terceiro trimestre, a taxa de absorção na venda recuou ligeiramente para 1,3%, enquanto o tempo médio de venda dos apartamentos aumentou 25%, para 132 dias.
Segundo Nuno Leal, co-CEO do Doutor Finanças, “o mercado imobiliário não está parado, mas está a mudar de ritmo. Os preços continuam elevados e a procura mantém-se, mas as famílias enfrentam limitações financeiras que tornam as decisões de compra mais ponderadas. O aumento do tempo necessário para vender um imóvel mostra que os compradores estão mais seletivos e que nem sempre existe um equilíbrio entre o preço pedido e a capacidade financeira de quem procura casa. Mais do que uma correção dos preços, estamos a assistir a uma correção da velocidade do mercado, que exige expectativas mais realistas por parte dos vendedores e decisões cada vez mais informadas por parte dos compradores”.
A oferta no mercado aumentou, com o número médio de imóveis disponíveis para venda a crescer 6,9%, para um total de 111.911 casas, das quais 69.979 apartamentos e 41.932 moradias. Este crescimento deve-se também ao alargamento das fontes de recolha do Observatório nos últimos trimestres, permitindo uma cobertura mais abrangente do mercado.
No mercado de arrendamento, as variações regionais foram mais expressivas. Destacam-se as subidas em Bragança (+19,7%), Vila Real (+18,8%) e Viseu (+9,9%), enquanto Beja registou a descida mais acentuada (-14,8%). Lisboa mantém as rendas mais elevadas do país, com 19,11 euros por metro quadrado, apesar de uma redução de 5,4% no trimestre.
Apesar dos aumentos nos preços anunciados de venda, a acessibilidade à habitação teve uma ligeira melhoria no final de setembro, com o Índice de Acessibilidade Habitacional para a compra de um apartamento T2 a aumentar 1,8% face a julho, para 2,04, refletindo uma redução de 21 euros na prestação média estimada.
No entanto, a prestação de um apartamento T2 continua a consumir 49% do rendimento líquido de um casal com salário médio, chegando a representar 70% na Madeira e 65% em Faro.
A análise do Observatório do Imobiliário do Doutor Finanças revela assim um mercado onde os preços de venda anunciados voltam a subir, as rendas permanecem estáveis e o tempo médio de venda dos apartamentos aumenta. As famílias portuguesas enfrentam um esforço financeiro significativo para comprar casa, sublinhando a importância de decisões informadas e ajustadas à realidade de cada mercado.




