“É preciso que consigamos compatibilizar a preservação do património com a presença do homem”. A frase foi proferida pela presidente da Câmara de Portimão, no decorrer da sessão de apresentação do livro “Património e Turismo – A força da Narrativa”, da autoria de José Figueiredo Santos, que teve lugar na tarde desta Sexta-feira, 26 de Maio, na Biblioteca Municipal de Portimão.

Para Isilda Gomes, não faz sentido manter o património “guardado, isolado, sem que seja possível visitá-lo e dele usufruir”. É necessário mostrá-lo, mas também saber interpretá-lo, uma vez que ao fazê-lo se está a interpretar a nossa história e, ao mesmo tempo, a construir o futuro. Isto porque, explicou a autarca, “sem história e sem memória não há futuro”.

Depois de, ao longo das últimas décadas, o turismo algarvio ter vivido, em boa medida, do sol e praia, nesta altura é pacífico que, para que possa dar o ‘salto’ e ultrapassar o espartilho da sazonalidade, é preciso que jogue mão de outros trunfos, sendo um deles o património.

É que, actualmente, “o turista já não se satisfaz só com sol e praia, quer muito mais do que isso, quer conhecer e viver a nossa história” e, para isso, é importante que usemos, de forma responsável e sustentada, o património não só o arquitectónico como o natural e até o gastronómico.

No mesmo sentido foram as intervenções do editor do livro, Fernando Mão de Ferro, e de Alexandra Gonçalves, directora Regional de Cultura do Algarve, a quem coube a apresentação da obra.

O autor, José Figueiredo Santos, lança, através do livro algumas pistas para “ir em busca do tempo perdido” nesta matéria. Doutorado em Sociologia da Cultura é professor coordenador na Escola de Gestão e Hotelaria e Turismo da Universidade do Algarve e investigador convidado do Centro de Estudos de Comunicação e Linguagem.

No entanto, confessa que defende que as universidades não deveriam ter professores, directores ou coordenadores, mas apenas bons “contadores de histórias”. Hoje em dia, a atenção dos jovens é atraída por muitas ‘distracções’, que encontram na internet, a qualquer instante, pelo que os professores só podem competir com isso se forem, realmente, “bons contadores de histórias”.

Da sua parte, diz que é isso que procura fazer, assumindo-se como “alguém que persiste em superar aquela figura cinzenta do académico clássico”.

 

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