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Nos últimos quatro anos, a Baixa de Faro passou a ser um pólo de atração dos farenses e visitantes. O presidente da autarquia, Rogério Bacalhau, considera que a requalificação, a animação da Baixa e o investimento empresarial, foram decisivos para atrair mais pessoas ao centro da cidade.

Faro tem assistido nos últimos anos a uma nova dinâmica comercial. Em seu entender a que se deve este novo dinamismo?

Essencialmente a dois factores. Um primeiro lugar, há um conjunto de empresários  que nos  últimos anos decidiu investir na cidade – desde restauração, hotelaria, comércio tradicional – e  trouxe uma nova visibilidade, pela qualidade dos produtos oferecidos nas diversas áreas. Um segundo fator tem a ver com a intervenção que o município tem feito, a nível do espaço público. Começámos em 2015, com a requalificação da cidade velha, do arco da vila, ou seja, temos feito um conjunto de intervenções que têm melhorado o espaço público – não tanto como desejaríamos -, que permitiu a promoção. O Baixa Street Fest superou muito as nossas expetativas, trouxe a visibilidade e as pessoas aderiram perfeitamente à nossa Baixa. Com o fomento da instalação de explanadas, passámos a ter espaços de convívio, encontros e as pessoas podem sair de casa e conviver na Baixa de Faro, algo que não acontecia há três ou quatro anos.

 

Os farenses reconciliaram-se com a cidade?

Os farenses hoje estão mais reconciliados com a sua Baixa. E mesmo aqueles que antes já saíam de casa e muitas vezes iam para os concelhos limítrofes, hoje ficam na cidade com os amigos. Há uma nova dinâmica em que as pessoas estão mais próximas da Baixa e da Cidade.

 

As parcerias estabelecidas com as associações têm resultado em focos de atração para a baixa de Faro. Como foi desenvolvida essa parceria?

Temos vindo a colaborar com a AIHSA, a ACRAL e Associação da Baixa, numa perspectiva de revalorização e revitalização da baixa e comércio. Um comércio forte significa termos visitantes e as pessoas de Faro a passear e a conviver. Nessa perspectiva, desenvolvemos alguns projetos em parceria, tal como o Baixa Street Fest, em que a autarquia entrou com algum investimento, mas em que as decisões do que se ia passar foram realizadas em parceria com as associações. Criou-se diálogo entre associações e autarquia, de tal forma que o evento superou todas as nossas expectativas.

 

Sente-se preocupado com a entrada de alguns centros comerciais nos concelhos limítrofes ?

A dinâmica dos centros comercais existe noutras cidades do país e da Europa e é algo que não podemos combater. Temos é que ter ofertas apelativas para que as pessoas prefiram vir para a cidade. Quando as grandes superfícies abrirem estaremos preparados para isso, mas sempre com cautela.

 

“No Inverno não sentimos a sazonalidade”

 

A cidade de Faro também se tornou mais turística, eliminando um pouco a imagem de “cidade de serviços”.

Com a requalificação da cidade velha, que é nossa principal montra turística, e com a abertura  de alguns espaços de restauração, trouxe uma visibilidade junto dos operadores turísticos que passaram a organizar-se para trazer mais turistas a Faro. O interessante é que no Inverno não sentimos a sazonalidade e continuamos a ter turismo mesmo em época baixa. Quem vem a Faro não vem pelo produto “sol e praia”, mas pela gastronomia, animação, hospitalidade e cultura. Traz uma economia para a cidade que é muito positiva em termos de postos de trabalho e é o principal motor que queremos imprimir na cidade.

 

Esse esforço de trazer mais turistas à cidade refletiu-se também na melhoria das ligações com a principal porta de entrada na região: o aeroporto de Faro.

No concurso que lançámos para a Rede Próximo foram previstas as carreiras diretas do aeroporto para cidade, o que incrementou o turismo das low-cost. Há outro aspeto positivo, que é o facto de nos últimos anos termos passado de 2000 para quase 3500 camas, permitindo que as pessoas venham a Faro e tenham alojamento (hostels, alojamento local). Temos taxas de ocupação hoteleira muito altas. Felizmente, há novos empreendimentos que se desenham: na próxima segunda-feira vamos aprovar o projeto para um novo hotel, numa zona nobre da cidade, num espaço que estava desqualificado e abandonado (ATRIUM Faro). Temos de fazer este caminho de aumentar a oferta hoteleira e continuar a requalificar os espaços que a cidade tem para oferecer.

 

Há uma maior celeridade na aprovação de novos projetos?

Este projeto hotel na cidade foi aprovado no espaço de um mês. Os investidores têm de ganhar confiança que as coisas andam. Um investidor não pode estar dois ou três anos à espera de concretizar o investimento. Qualquer investidor que telefone, recebemo-lo em 24 horas. Projetos de grande investimento, acompanho pessoalmente essa situação, para que saibam que connosco podem investir que não entravamos os projetos.

 

Que incentivos foram criados para a requalificação imobiliária?

Em 2012, foram constituídas áreas de reabilitação urbana através do cadastro de todos os imóveis dessas zonas: sabemos quem são os proprietários, o estado do imóvel, se está ocupado e o seu destino. Com isto foram aplicados dois tipos de incentivos à reabilitação: positivos e negativos. Os positivos são a redução de IRC, de IVA nas obras e podem ter acompanhamento arqueológico nas obras. O incentivo negativo passa pela triplicação do valor do IMI nos prédios devolutos. As pessoas passaram a colocar o imóvel no mercado ou a reabilitar, deixando de olhar para o seu imóvel, geralmente herdado, de forma afectiva. Isto aliado a uma nova dinâmica turística e a investidores estrangeiros que querem vir para Faro, o processo de reabilitação de imóveis vai continuar por uns anos. Por exemplo, a Rua Serpa Pinto, neste momento, só tem uma casa que não está reabilitada.

 

“A ponte para a Praia de Faro ultrapassou o seu prazo de validade”

Foi anunciada esta semana a requalificação da ponte de acesso à Praia de Faro. Quais os passos até à conclusão da nova ponte?

O projeto está feito há vários anos, mas não foi possível candidatá-lo a fundos europeus no último Quadro Comunitário, existindo um défice de orçamento para essa obra, no valor de 2,4 milhões de euros. O município através do seu capital social já tinha pago 30% deste valor, faltava arranjar os outros 50%. Esta segunda-feira (26 de Setembro), em reunião com Ministro do Ambiente, ficou acordado que o capital da Polis tinha disponibilidade para alocar a esta obra 50% e nós assumimos mais 20% desse valor para poder realizar a obra. Até ao final do ano, a Polis irá lançar o concurso e espero que a obra arranque no próximo ano para podermos ter um acesso condigno à praia de Faro, tanto em conforto como em níveis de segurança. A ponte que temos neste momento, cumpriu o seu objetivo, mas ultrapassou o seu prazo de validade.

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