
Publicação da Autoridade de Gestão do Programa Regional ALGARVE 2030 e da CCDR Algarve mostra soluções digitais, modernização de infraestruturas e aplicação concreta da prioridade à eficiência hídrica e redução de perdas.
O Algarve pretende afirmar a liderança da gestão eficiente e inteligente da água, num percurso alavancado por investimentos estruturais e europeus da política de coesão. Esses investimentos podem ser conhecidos na publicação já disponível online (https://algarve.portugal2030.pt/2025/11/28/gestao-inteligente-da-agua-o-novo-paradigma-hidrico-do-algarve/) no site do Programa Regional ALGARVE 2030.
Após mais de uma década marcada por seca severa, a região vive um novo ciclo de confiança, sustentado na inovação, na diversificação das origens de água e na modernização das redes, um conjunto de exemplos, projetos e boas práticas reunidos na publicação “Algarve: Região Líder na Gestão Inteligente da Água”, que conta também com uma versão impressa.
Nos últimos anos, a precipitação no Algarve desceu de forma acentuada (menos 34% desde 2012), mas 2025 assinalou algumas alterações fundamentais. A saber, o registo nas seis albufeiras da região, no final de setembro, de 72% da sua capacidade, mais do dobro do verificado no período homólogo. Mas a prioridade tem de ser a eficiência hídrica.
Projetos municipais reforçam redes e reduzem perdas
Para o novo ciclo de aumento da resiliência hídrica da região são estruturantes as operações realizadas pelos Municípios, que estão a modernizar redes, combater perdas e reforçar reservatórios através de projetos apoiados pelo ALGARVE 2030, Fundo Ambiental e orçamentos municipais, assim como se revela fundamental o conjunto de investimentos em curso da responsabilidade das Águas do Algarve.
Alguns exemplos que podem ser conhecidos na publicação:
- Silves: Intervenções que levaram à redução muito substancial de perdas de água 60% para metade.
- Lagos: A Ligação da ETAR da cidade à Quinta da Boavista irá permitir avançar com o uso de Água para Reutilização (ApR). Esta água será para usar na rega dos campos de golfe, no abastecimento à marina e na rega de vários espaços verdes.
- Castro Marim: A extensão da rede pública de abastecimento de água está a ser feita a aglomerados anteriormente dependentes de furos e autotanques. Esta intervenção reforça o acesso equitativo e a resiliência hídrica.
Também nas empresas e na inovação produtiva e de processos:
- Slide & Splash: Operações, algumas de economia circular, para reutilização anual até 21.000 m³. Estas ações compensam a expansão do parque sem aumentar a pressão sobre as reservas públicas de água.
- Aquashow: Ações para reaproveitamento de 75% da água de lavagem e redução de 50 toneladas de CO₂/ano.
Tecnologias emergentes reforçam a resiliência hídrica
O Algarve está ainda a testar tecnologias emergentes e soluções baseadas na natureza. Destacam-se a dessalinização solar, fitorremediação de nutrientes, o armazenamento de águas pluviais para rega e recarga de aquíferos.
Também o ITI – Instrumento Territorial Integrado tem assumido um papel central enquanto relevante solução para desafios associados à água e ecossistemas de paisagem. Este instrumento apresenta um impacto de significativo potencial para os territórios de fronteira no Algarve e no Alentejo.
A reprogramação do Algarve 2030 introduziu a nova prioridade 2F – Água, com a mobilização de 20 milhões de euros adicionais para reforçar a resiliência hídrica. Assim, passou de 66 para 86 milhões de euros os fundos estruturais de coesão mobilizados, reforçando o Algarve como líder na gestão inteligente da água.
Responsáveis destacam avanços e cooperação institucional
Para a Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, o “futuro do Algarve é bem mais risonho em matéria de resiliência hídrica” face aos passos dados através de financiamentos e projetos estratégicos como a Dessalinizadora de Albufeira ou a tomada de água do Pomarão, no Guadiana.
“E os sucessos que termos tido no tema da água reforçam a minha convicção de que, mantendo este grau de compromisso e cooperação entre autoridades e entidades nacionais, regionais e locais, seremos capazes de ter sucesso em muitas outras frentes”, acrescenta.
De acordo com José Apolinário, Presidente da CCDR Algarve e da Comissão Diretiva do Algarve 2030: “A água é essencial à vida, ao desenvolvimento económico e à coesão territorial. O planeamento e a gestão da água exigem trabalho institucional em rede, ao nível nacional, regional e municipal, especial mobilização dos municípios e entidades gestoras, capacitação técnica, recursos humanos especializados, conhecimento, participação pública, monitorização do recurso e execução dos investimentos, com resultados concretos, matriz dos fundos europeus da política de coesão”.
António Pina, Presidente da AMAL e Vogal não executivo do Algarve2030, destaca que “com o envolvimento de todos, estamos a trabalhar rumo a um Algarve seguro, autosuficiente e sustentável em recursos hídricos, que se quer cada vez mais eficiente por via da inovação”
A APA, Agência Portuguesa do Ambiente, através do seu Presidente, José Pimenta Machado, e do Diretor Regional da Administração da Região Hidrográfica do Algarve, Pedro Coelho, sublinha que: “A região apresenta hoje uma evolução positiva, com uma gestão mais informada e inteligente dos recursos. Este avanço é essencial para preparar o futuro, reforçando a base científica técnica sobre a qual assenta o planeamento e a tomada de decisão”.
CCDR Algarve



