“É muito fácil dizer que não se fez isto ou aquilo e que a questão financeira não era importante”. Esta foi uma das frases usadas por Rogério Bacalhau, actual presidente da Câmara de Faro e recandidato a um novo mandato pela coligação “Faro no Rumo Certo” (PSD/CDS/PPM/MPT), em resposta às críticas feitas pelos seus adversários, no decorrer de um debate autárquico promovido pela Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL), em parceria com o Canal Algarve.

Uma dessas críticas ao trabalho levado a cabo ao longo do mandato teve a ver com “a incúria e o desmazelo”, com que, na opinião do candidato da CDU, António Mendonça, deixou o espaço público. Pelo mesmo caminho foi a nº1 da lista do Bloco de Esquerda, Maria Eugénia Taveira, que não aceita que se diga que “o garrote financeiro justifica tudo”. Também o homem que avança pelo PS, António Eusébio, entende ser esse um dos ‘pecados’ principais da gestão de Rogério Bacalhau, a que junta o que diz ser uma ausência de política de habitação e a perda de oportunidades para Faro, por a autarquia ter deixado escapar fundos comunitários.

No contra-ataque, Rogério Bacalhau lança mãos dos números para tentar culpar o PS pela situação difícil que teve de enfrentar e que impediu que o concelho desse um salto maior. Acusou a governação socialista de ter deixado uma situação financeira tão má que quando, em 2009, entrou na Câmara como vice-presidente de Macário Correia, o grande desafio foi “manter as portas abertas” uma vez que “estávamos numa situação de pré-falência”.

No mandato seguinte, em que assumiu a presidência, “esse trabalho foi continuado, conseguimos consolidar a questão financeira” e, actualmente, “não temos problemas financeiros, pagamos a horas e o município tem capacidade de investimento”. Daí que já tenha sido possível, ao longo deste ano e meio, lançar, pelas suas contas, um total de 76 empreitadas.

Os resultados alcançados não convencem António Eusébio, que rejeita atribuir louros ao actual presidente da edilidade. A evolução verificada resultou do “esforço financeiro” feito pelos farense, sobretudo ao nível do pagamento do IMI, que “foi aumentado para a taxa máxima em 2013”.

Na sua opinião, as opções tomadas não foram as mais correctas, pois, se tivessem sido outras, tinha sido possível à autarquia amortizar o empréstimo do PAEL mais cedo e ter-se libertado dos constrangimentos que essa situação lhe criava. Por essa via teria conseguido “tornar-se mais autónoma, ter ido buscar fundos comunitários e ter antecipado o investimento que está agora a fazer”.

Para António Mendonça (CDU) grande parte dos problemas da autarquia tiveram a ver com o facto de “termos começado o mandato esmagados pelas exigências da troika” e isso teve repercussões no concelho. Para ir buscar um empréstimo ao PAEL e outro à banca “tivemos que nos agachar, esmagados por um plano de ajustamento financeiro e pela adesão ao programa 1 do PAEL, que era tudo menos um apoio à economia local”.

Depois de resolvidos os principais problemas financeiros, o investimento que agora está a ser feito só não arrancou mais cedo, acusa, “por culpa do Secretário de Estado do Orçamento do PS que, injustificadamente, não permitiu”. António Mendonça reclama para a CDU parte substancial do mérito pelo desbloqueio da situação.

Mais do que atribuir culpas ou responsabilidade, o que Maria Eugénia Taveira optou por destacar é o facto de que, ao longo destes anos, “a habitação social ter estado parada, não só no incremento como na manutenção da que já existe”. Outra constatação é que as piscinas municipais “no ano passado estiveram fechadas 4 meses por insegurança”, tal como esteve igualmente fechado durante meses o pavilhão da Afonso III. Isto a juntar ao que diz ser a falta de manutenção do espaço público.

O que fazer na zona ribeirinha?

Ao longo das cerca de duas horas que durou o debate, que decorreu na Biblioteca Municipal, foram muitos os temas que serviram para os candidatos esgrimirem argumentos. Um deles foi o estudo de requalificação da zona ribeirinha apresentado recentemente pela Câmara, que envolve uma marina, um centro de investigação e a requalificação das zonas limítrofes degradadas.

Rogério Bacalhau lembrou que aquela zona não está sob jurisdição municipal, pelo que é ao Governo que compete a palavra final. O estudo foi feito, tendo em conta que “o cais está há dois anos quase sem actividade”.

António Mendonça vê no documento apenas uma “oportunidade de negócio que não tem nada a ver com aquilo que é o problema fundamental do estado de incúria a que chegou a frente ribeirinha de Faro”.

António Eusébio considera que o processo começou mal, “pelo telhado”, e que “denota falta de planeamento e de visão estratégica”. Para além disso, “não foi discutido por nenhumas entidades ou parceiros e foi apresentado a público como se fosse um grande plano, a três meses das eleições, o que é pura demagogia”.

Para Maria Eugénia Taveira é importante não “descurar a importância que o cais comercial tem para Faro”, mas para voltar a ganhar protagonismo precisa de “outras condições”. Aquela zona deve, na sua opinião, ser transformado “num sítio de lazer, de divulgação científica e de conhecimento e abranger a zona do Bom João, que não está contemplada neste projecto”.

As questões relacionadas com a habitação social, o cemitério, o crematório e o parque de campismo de Faro foram outros dos temas que motivaram viva discussão entre os candidatos, a qual pode ser vista, na íntegra, em vídeo, aqui.

 

Partilhar: