O ministro da Economia marcou presença na sessão de apresentação do projecto de uma nova unidade hoteleira do Grupo Pestana, em Alvor. Em declarações proferidas à margem da cerimónia, destacou o bom momento que o sector turístico atravessa.

Como é que vê este investimento do grupo Pestana?

Vejo como um investimento muito positivo, muito importante, com uma dimensão grande, mas também com um posicionamento de qualidade que penso que é muito interessante.

O turismo tem estado a crescer muito bem, em termos de pessoas que nos visitam, mas tem estado a crescer o dobro em termos de receita. E isso acontece porque, de facto, está a haver uma aposta no turismo de qualidade, está a haver uma aposta em melhorar o perfil dos turistas que nos visitam e isso resulta muito, também, do enorme esforço que tem sido feito pelas empresas de turismo em fazer subir a qualidade dos empreendimentos.

Vemos que o turismo tem estado a evoluir ao nível da qualidade, para ser mais competitivo, por ter mais qualidade e não, como aconteceu, se calhar, nos anos do ajustamento, em que se tentou ser competitivo apenas pelo preço e, muitas vezes, conseguia-se encher hotéis, mas não se facturar o suficiente para ser lucrativo.

Penso que é também positivo que o aumento que se tem verificado no número de turistas e de facturação seja mais equilibrado ao longo de todo o ano e não só nos meses de Verão.

Também se verifica um aumento muito grande no investimento. Neste último ano e meio fizeram-se ou estão em curso investimentos de 600 milhões euros, quer em melhoramento de hotéis, quer na construção de novos hotéis. Neste caso concreto, é um investimento grande, de 50 milhões de euros, que mostra que o turismo está não só a crescer hoje, mas também a criar condições para continuar a crescer, melhorando a oferta e, neste caso, com uma oferta de alta qualidade e diferenciada face à que já existe aqui no Algarve.

O efeito que terá na na economia local, pelos empregos que criará, também é importante?

Sim, é muito importante, são 300 empregos criados num hotel de 5 estrelas, com qualidade, com muita exigência, ou seja, vamos ter aqui trabalhadores bem qualificados, bem treinados, mas, exactamente também por isso, melhor remunerados e penso que é esse também o caminho que o turismo tem de seguir.

Tem que ser um turismo que aposte na qualidade, mas para isso, tem que se valorizar, cada vez mais, os trabalhadores. Fizemos um grande esforço no sentido de aumentar o número de estudantes das escolas de hotelaria, estamos a fazer um esforço de formação e valorização das pessoas.

São, de facto, pessoas mais profissionais, mais treinadas, que podem fazer subir a qualidade do turismo e também só apostando na estabilização do emprego e no combate à sazonalidade, que permita manter bons níveis de emprego ao longo de todo o ano é que vamos conseguir que as pessoas vão investindo ao longo de vários anos em melhorar, em aprender mais, em fazer melhor, vão criando um espírito de equipa que, quando havia muita sazonalidade e os hotéis fechavam, no Verão era mais difícil de conseguir.

É preciso investir mais na qualidade?

Eu penso que é esse investimento que está a acontecer em Portugal. Estamos a ter não só um aumento do número de turistas, mas também da qualidade dos turistas que nos visitam. O que queremos é que os turistas tragam mais valor e mais desenvolvimento e isso só pode acontecer se, de facto, se apostar na qualidade.

Este é um projecto que, claramente, aposta na qualidade, mas o hotel onde estivemos antes (Alvor Pestana), com a remodelação que teve melhorou muito a qualidade e o que vemos, de uma forma dispersa, não só nos hotéis, mas também na restauração, é uma grande melhoria da qualidade.

Eu relembro que, no ano passado, houve quase uma duplicação do número de estrelas Michelin em Portugal, houve um aumento muito grande da percepção de qualidade e isso também está a ser reconhecido internacionalmente, pelos prémios que temos recebido no turismo, pela qualidade que é reconhecida ao turismo português, e é isso que está a trazer novos turistas, mas, cada vez mais turistas que vêm à procura de descobrir mais coisas em Portugal, de um destino de qualidade e não apenas de um destino de baixo custo.

A economia está a crescer, mas o nível de confiança dos consumidores diminuiu pelo segundo mês consecutivo. Porquê?

O nível de confiança na indústria aumentou, o nível de confiança dos investidores aumentou, o nível de confiança dos consumidores tem vindo a aumentar muito nos últimos meses.

As variações mensais variam, mas o que estamos a ter é um aumento de confiança dos investidores, dos industriais, um aumento de confiança, certamente, no sector turístico e essa confiança, que se traduz com ligeiras variações nestes índices que vemos todos os meses, ligeiramente para baixo, ligeiramente para cima, mas quando olhamos numa perspectiva de um ano e meio vemos que todos os índices estão muitíssmo acima e um índice como o de confiança dos consumidores, que era negativo, está, agora, em terreno positivo e é essa confiança de produtores, de investidores, de industriais e de consumidores que está a fazer com que, de facto, o melhor índice, o índice que mais nos interessa, o do investimento, esteja a crescer.

Os consumidores e os investidores demonstram nesses índices, em inquéritos e em sondagens que têm mais ou menos confiança, mas quando fazem o maior investimento dos últimos 18 anos já não estão a expressar uma opinião, estão a concretizar o resultado do que é a sua confiança. Quando temos o maior crescimento do emprego da Europa, quem está a criar esses empregos está a mostrar confiança na evolução da economia.

O principal mercado turístico do país e, em especial do Algarve, é o britânico. Receia que o Brexit traga consequências negativas para o turismo. E já está a criar, nesta altura?

Até agora, os resultados do mercado britânico não foram muito expressivos, em termos de alteração, mas estamos a trabalhar para que os ingleses continuem a ter confiança em Portugal e em vir fazer turismo para o nosso país. Há uma longa tradição nesse sentido e acho que essa tradição não vai desaparecer com estas alterações que estão a ocorrer.

Mas não estamos só a trabalhar nisso. Estamos a trabalhar, com muita força, para diversificar os mercados do turismo, não temos que olhar apenas para um mercado, temos que trabalhar todos os mercados e, sobretudo, os que são mais importantes.

O mercado inglês é muito importante, mas o que estamos a fazer é trabalhar muito na diversificação de mercados e tivemos este ano em vários outros mercados europeus um grande crescimento. Em tipos de turistas que vêm em outras alturas do ano tivemos um crescimento fortíssimo, houve reforço em todo o país, mas em especial no Algarve. São pessoas mais velhas, do turismo corporativo, de congressos, que não ocorrem na época alta.

Temos que trabalhar todos esses mercados para diversificar a procura turística. E estamos a trabalhar, também, mercados mais distantes, como o do Estados Unidos, que está a crescer mais de 40%, como o brasileiro, ou dos países asiáticos, em especial, o da China, para onde temos agora um voo directo. Esses mercados trazem pessoas que, normalmente, ficam mais tempo. Em vez de ficarem, 3, 4 dias, dias, uma semana, ficam, muitas vezes, 15 dias, um mês e ao ficarem mais tempo também gastam mais.

 

 

Partilhar: