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“Temos de capacitar as empresas para a internacionalização para avançar de forma sustentada”. Esta é a principal mensagem deixada aos empresários por Paulo Caldas, diretor de Internacionalização AIP – CCI – Associação Industrial Portuguesa/Câmara do Comércio e Indústria, durante o seminário «Internacionalizar as PME do Algarve – Desafios e Oportunidades», que decorreu hoje, 25 de Novembro, no NERA, em Loulé.

Em Portugal, das 374.000 empresas existentes, apenas 22.000 estão ligadas à internacionalização. Dessas, 60% são micro-empresas e 70% exportam apenas para um país. O caminho a percorrer é longo e muitas vezes é “preciso adaptar o produto à realidade do outro país”. “Neste momento, as empresas ainda não estão completamente capacitadas para abraçar o desafio da internacionalização”, defende Paulo Caldas.

Por seu lado, Vitor Neto, considera que “vivemos no Algarve uma contradição e um paradoxo: somos a maior região exportadora de serviços (turismo) e a região com menos exportação de bens do país”. A região algarvia, que no século XIV exportava figos para o Norte de África, é hoje importadora desse fruto. Para o presidente do NERA, os recursos endógenos não mudaram, “mas é necessário que transformá-los em produtos para que possam ser exportados”.

Vitor Neto defendeu ainda a existência de uma comunicação social forte na região, para que os empresários se possam fazer ouvir. “Somos a região do país que tem a menor afectação de fundos comunitários do país – 1,5% de todos os fundos do país, ou seja 319 milhões de euros”, afirmou.

Durante o seminário foram ainda apresentadas algumas ferramentas de internacionalização , tal como a Rede Enterprise Europe (EEN), que presta serviços às PME, ajudando a estabelecer parcerias internacionais e a fazer negócios em países terceiros.  De 2008 a 2014, foram iniciadas 11.000 parcerias comerciais entre empresas, através desta rede internacional. O funcionamento é simples: basta aceder ao site da EEN, pesquisar na base de dados as oportunidades de parcerias, manifestar interesse por uma parceria e é marcado um encontro bilateral.

De acordo com Tiago Antão, proprietário da Algarfresco, um caso de sucesso da Rede Enterprise Europe, “a EEN tem sido o Tinder das empresas”. A Algarfresco exporta 90% do que produz. Vitor Gonçalves, responsável da empresa Águas de Monchique, garante que em todo o processo de internacionalização é necessário “persistência e muita paciência”, até porque são raros os casos em que se consegue vender à primeira ou à segunda.

O seminário foi organizado pela Rede Enterprise Europe, em parceria com a CCDR-Algarve.

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