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Daniel Matos e Associação de Dança de Lagos recebem homenagem municipal

Ago 1, 2026 | Cultura, Destaques

O coreógrafo lacobrigense Daniel Matos e a Associação de Dança de Lagos (ADL) receberam votos de louvor aprovados em reunião de câmara. Esta homenagem reconhece o trabalho desenvolvido na criação e difusão artística na área da dança.

O município destacou a qualidade técnica, coerência, consistência e dedicação do coreógrafo e da associação. Dessa forma, destacou que estes atributos refletem-se na excelência das criações apresentadas em palcos nacionais e internacionais de prestígio.

Reconhecimento de Daniel Matos

Daniel Matos foi homenageado após a sua criação “Almost Uninhabited” ganhar o primeiro prémio na categoria DanceMovie no Prémio Roma Danza, em Itália. Este festival é um dos mais relevantes na dança contemporânea internacional. Além disso, a obra já conquistou o Prémio ETIC para Melhor Filme Nacional no InShadow – Lisbon Screendance Festival.

Na reunião de câmara, a vereadora Sara Coelho salientou que a candidatura da CAMA – a.c., associação cultural fundada em 2017 por Daniel Matos e Joana Flor Duarte, foi classificada em primeiro lugar a nível nacional pela DGArtes no Programa de Apoio a Projetos 2026.

Prémios e Distinções

Nos últimos anos, Daniel Matos recebeu também o Prémio DROP, na Croácia, e o Prémio Autores da Sociedade Portuguesa de Autores para Melhor Coreografia. A obra “A Pedra, a Mágoa” valeu-lhe ambas as distinções. Entretanto, em 2026 estreou “A Luminosa Violência da Perfeição”, uma criação com Joana Guerra no violoncelo e voz, com seis intérpretes, um grupo de crianças e orquestra ao vivo. Além disso, está a desenvolver a circulação desta obra e a preparar o novo projeto “WE WORK FOR HONEY”.

Histórico da Associação de Dança de Lagos

A Associação de Dança de Lagos e a sua Escola de Dança Ljiljana Urosevic da Silva destacaram-se pelos resultados alcançados na competição All Dance Europe 2026, realizada na Grécia. Conquistaram 18 prémios e as pontuações mais elevadas nas três principais categorias. O evento reuniu participantes de 14 países, evidenciando a qualidade do trabalho pedagógico e artístico.

O vice-presidente Paulo Jorge Reis recordou os primeiros passos da ADL em 2004, no Espaço Jovem de Lagos, e destacou o percurso notável ao longo de 22 anos. Frisou que as distinções internacionais confirmam o mérito artístico do trabalho do coreógrafo Daniel Matos e da ADL. Este reconhecimento contribui para afirmar Lagos como polo ativo de programação e difusão cultural.

Na competição All Dance Europe 2026, a ADL apresentou 18 coreografias, conquistando 14 primeiros lugares, três segundos e um terceiro lugar. Destacou-se com prémios de Melhor Coreografia Étnica, Dança Contemporânea e Ballet Clássico, um feito inédito nas três principais categorias.

A nível individual, a bailarina Alexandra Belova foi eleita Melhor Bailarina no escalão Adulto, enquanto Sara Pinto recebeu o título de Melhor Bailarina no escalão Pré-Jovem — a ADL conquistou assim simultaneamente estes dois títulos pela primeira vez. A bailarina Evelina Burduh alcançou ainda o 4.º lugar no escalão Jovem.

A ADL recebeu também dois Golden Tickets que garantem participação na Gala Final do campeonato, atribuídos às coreografias “Ugly Duckling” e “Malambo”.

O campeonato contou com a presença de participantes de 14 países, entre os quais Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Finlândia, Albânia, Malta, Brasil, Colômbia, Peru, México, Honduras, Venezuela e Israel, promovendo um intercâmbio cultural de elevado nível competitivo.

Descrição da Obra “Almost Uninhabited”

“Almost Uninhabited”, criada em 2020, parte da desertificação crescente do planeta para explorar a relação entre paisagem, corpo e respiração. A obra propõe uma experiência cinematográfica onde o acto de respirar se transforma em matéria coreográfica. O júri do Roma Danza reconheceu a obra pela capacidade de transformar uma questão urgente do presente numa experiência visual e corporal intensa. Além disso, destacou a originalidade da pesquisa coreográfica, a força dramatúrgica do dueto, fotografia, montagem e dimensão sonora, elementos inseparáveis da criação.

O júri valorizou os intérpretes Hugo Cabral Mendes e Rafael Pinto, cuja investigação do movimento se baseia na respiração partilhada como gesto de sobrevivência mútua. Do mesmo modo, destacou a música original de Sara Pissarro, que amplia a experiência física do filme.

Esta distinção reforça a afirmação de Daniel Matos como uma das vozes mais singulares da criação contemporânea portuguesa. Destaca ainda a projeção internacional da videodança portuguesa e da criação coreográfica nacional.

Fotos: CM Lagos