Entrevista ao presidente da Associação do Comércio e Serviços do Algarve (ACRAL), Álvaro Viegas, a propósito da 2ª edição do Baixa Street Fest, evento que animou a Baixa comercial de Faro às sextas-feiras à noite, de 30 de Junho a 25 de Agosto.

Algarve Económico (AE) – Que balanço faz do Baixa Street Fest? 

Álvaro Viegas (AV) – Acho que foi um sucesso. Já no ano passado foi, embora, inicialmente, existissem algumas dúvidas, por se tratar da primeira edição, mas este ano, mais comércio esteve aberto e o retorno que já tinha acontecido em 2016, também aconteceu. O sucesso do Baixa Street Fest mede-se também pelo retorno que os comerciantes tenham, ao nível das vendas. Foi, claramente, um grande e muito importante evento para a Baixa de Faro.

AE – Este ano, o número de lojas participantes ultrapassou a centena?

AV – Sim. No ano passado foram cerca de 80 e este ano ultrapassámos os 100 estabelecimentos, O que agora se pretende é alargar, ou seja, que o evento não se confine à Rua de Sto. António mas que se estenda pelas transversais e que a Baixa comercial seja cada vez maior, conseguindo-se chegar a mais locais. É claro que isso implica mais investimento por parte da autarquia, porque uma zona maior implica mais animação. Mas, garantidamente, é uma aposta claramente ganha por parte da autarquia, juntamente com a ACRAL.

AE – É uma aposta que deve passar por outros concelhos?

AV –  Esse foi um desafio que, no ano passado, lancei, mas, lamentavelmente, talvez por ter sido a primeira vez que se fez, outros municípios não agarraram a ideia. Claro que o figurino pode não resultar em todas as cidades, é preciso que haja uma grande concentração de estabelecimentos comerciais. Mas é um desafio que vou continuar a lançar para ver se é possível em 2018 fazermos eventos do género noutras cidades.

AE – Em termos turísticos, este está a ser um grande ano. Que reflexos isso tem tido no comércio, tem sido também um bom ano para o sector?

AV – Os dados que nos chegam dizem que tem sido um ano turístico como não há memória, é necessário recuar muitos anos atrás para chegar à taxa turística deste ano e as previsões que existem para 2018 indicam que vai ser um ano tão bom ou melhor que 2017. Trata-se de uma situação que, naturalmente, tem reflexos positivos no comércio.

AE – Em determinadas zonas de algumas cidades, pelo menos em Agosto, vemos lojas abertas à noite, mas, na maior parte dos casos, às 7 horas da tarde as portas são fechadas. O comércio continua a não conseguir adaptar os seus horários às necessidades e hábitos dos potenciais clientes?

AV – Não há dúvida que o Algarve tem, pelo menos, seis meses de clima muito ameno e agradável que permite que os estabelecimentos estejam abertos à noite, mas há uma resistência ainda muito grande a mudar os horários.

Tenho esperança que as novas gerações que estão a pegar nos negócios locais possam ter uma visão mais moderna. O horário tradicional já não faz sentido porque é o próprio consumidor que não quer isso e as empresas têm que ir ao encontro daquilo que o consumidor quer. Quem não fizer isso, naturalmente que fica ultrapassado.

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