O sonho de trazer a Fórmula 1 para o Autódromo Internacional do Algarve (AIA) mantém-se mas “há ainda um longo caminho a percorrer” e nada de relevante aconteceu nos últimos tempos.

Esta é a reacção do administrador do AIA, Paulo Pinheiro, à notícia surgida esta Terça-feira, 6 de Junho, de que o Governo teria pedido aos responsáveis do Autódromo Internacional do Algarve para que desenvolvessem contactos no sentido trazer a prova máxima dos desportos automóveis para Portugal.

Paulo Pinheiro diz, no entanto, que nada disso terá acontecido, que há contactos normais com a Fórmula 1, que já vêm de longe, mas que, no essencial, nada mudou em relação ao panorama que traçou na entrevista dada ao «Algarve Económico» em Abril passado.

Recuperamos, de seguida, essa parte da entrevista, que pode ser lida, na íntegra, aqui.

O Algarve Económico (AE) – Quando se construiu este autódromo falava-se muito da possibilidade de receber um grande prémio de Fórmula 1. Até agora isso não aconteceu, irá alguma vez acontecer?

PP – A Fórmula 1 é algo muito especial e específico, é o pináculo do desporto motorizado, é a competição mais cara do mundo, onde estão os melhores pilotos. E, por ser algo muito especial, implica um investimento muito grande por parte de qualquer entidade que queira receber uma corrida de Fórmula 1, seja ao nível das especificações técnicas da pista, de segurança e infra-estruturas, seja ao nível do investimento financeiro que é necessário fazer para que a corrida venha.

Se investirmos 10 numa provas destas, vamos buscar 100, este é o rácio que, mais ou menos, os estudos feitos pelas entidades oficiais garantem. É, portanto, um bom investimento, mas é um investimento avultado, é preciso ter pulmão e fôlego para conseguir fazê-lo.

Da nossa parte, temos vindo a fazer aquilo que nos compete: temos a pista homolgada, conseguimos trazer os testes de Fórmula 1 da Mercedes, que é a equipa tri-campeã do mundo, o que foi para nós algo muito importante, foi um marco que nos deixou muito contentes, até porque os testes correram muito bem. Foi batido o recorde de pista em 5 segundos em relação àquilo que era a nossa bitola, o que é extraordinário.

Trazer um grande prémio de Fórmula 1 para cá é um sonho, achamos que estamos hoje mais perto de o concretizar do que estávamos há um ou dois anos atrás, mas há um caminho que tem de ser feito, vamos fazê-lo devagar.

AE – Qual é o investimento necessário? Li, algures, que seriam necessários, à cabeça, 30 milhões de euros, é um valor dessa ordem?

PP –A Fórmula 1 mudou no final do ano passado, deixou de ser gerida por Bernie Ecclestone e passou para um grupo americano, a Liberty Media, e vê-se que já há uma mudança de paradigma na forma como é gerida.

Já ouvi falar em muitos valores, 30 milhões, 15 milhões, 20 milhões. Em princípio, será mais de 15 milhões e menos de 30 milhões. Mas, chegar à parte do custo, do fee, será o culminar de um processo, de um caminho que temos vindo a percorrer.

E depois há que ver outros aspectos, como a questão dos patrocínios, dos bilhetes, decidir quem fica com o quê. Portanto, pode até acabar por não serem 30 milhões, mas 10, 5 ou 25, é preciso perceber qual é o modelo de negócio, como é que as corridas se vão organizar. Acho que, neste momento, ninguém saberá bem qual é o valor.

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