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Ministro da Agricultura e Mar destaca água e financiamento na agricultura algarvia

Set 2, 2026 | Comércio e Serviços, Conjuntura e Emprego, Destaques, Economia

O Ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, participou na sessão de abertura do seminário “O Futuro da Agricultura Algarvia na Próxima Década”, no dia 28 de agosto, no Convento de São José, em Lagoa.

Desafios da Agricultura Algarvia

A iniciativa, promovida pela CCDR Algarve, reuniu organizações representativas do setor agrícola, representantes da Administração Pública e agentes económicos para refletir sobre os desafios e oportunidades da agricultura na região, assim como o futuro do financiamento agrícola e desenvolvimento rural para o período 2028-2034.

Na abertura, o Presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Luís Encarnação, e o Presidente da CCDR Algarve, José Apolinário, destacaram a importância de uma visão estratégica para a agricultura regional face a desafios como a disponibilidade e eficiência da água, necessidade de investimento, renovação geracional e transformações europeias.

José Apolinário defendeu a criação de um capítulo regional no quadro financeiro 2028-2034 e a atribuição de competências na gestão da água aos serviços regionais de agricultura, referindo o crescente peso económico da agricultura algarvia.

Importância da Água

O Ministro José Manuel Fernandes salientou a água como fator determinante para o futuro da agricultura e segurança alimentar, valorizando o esforço do setor na adoção de soluções de eficiência hídrica. Enfatizou que “a gestão da água deve ser encarada de forma integrada, tendo em conta as necessidades da agricultura, do abastecimento público, do turismo, da indústria, da proteção civil e da sustentabilidade ambiental”.

Destacou o projeto “Água que Une”, classificando-o como “estratégico e estruturante”, e sublinhou que o reforço das infraestruturas e da disponibilidade de água é essencial para dar previsibilidade aos investimentos e criar condições para a instalação de novas atividades económicas.

O Ministro referiu ainda o investimento público atualmente em curso no Algarve, nas áreas da agricultura, ambiente e recursos hídricos, considerando que estes devem ser vistos como “instrumentos de desenvolvimento económico e territorial”, tendo em conta o contributo da agricultura e agroindústria para o emprego, criação de riqueza, valorização dos recursos endógenos e coesão territorial.

Financiamento e Políticas Europeias

Quanto ao próximo período de programação europeu, José Manuel Fernandes defendeu a necessidade de um quadro financeiro de sete anos (2028-2034) que assegure estabilidade e previsibilidade às políticas agrícolas e investimentos, afirmando que “é importante manter uma Política Agrícola Comum (PAC) forte e com uma dimensão efetivamente europeia”.

Alertou para os riscos de uma transferência excessiva da responsabilidade financeira para os orçamentos nacionais, que poderia criar diferentes níveis de apoio e distorções no mercado único. Sublinhou também a importância de definir metas “ambiciosas, mas realistas e ajustadas à capacidade de execução”, para evitar que objetivos excessivamente exigentes prejudiquem o aproveitamento dos fundos europeus.

O Ministro apontou a necessidade de acompanhar a execução e proceder à adaptação dos indicadores e metas dos programas quando necessário.

Projetos Estratégicos

Outro foco da intervenção foi a aposta na investigação e inovação orientadas para problemas concretos da agricultura, incluindo novas pragas, doenças e impactos climáticos. Defendeu “uma maior articulação entre investigação e necessidades efetivas do setor” para acelerar o desenvolvimento de soluções, tratamentos e mecanismos de proteção para os agricultores.

Durante a tarde, foram abordadas questões como o próximo ciclo de financiamento europeu, apoios ao investimento, recursos hídricos, grandes obras no Algarve, renovação geracional e atração de jovens para a agricultura.

A sessão contou com intervenções de Susana Barradas, do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral, sobre o horizonte financeiro pós-2027; Luís Souto Barreiros, do Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, sobre execução dos fundos e apoios regionais; Macário Correia, da AdP Aqua, sobre o projeto “Água que Une” e grandes obras; e Pedro Santos, da Consulai, sobre renovação geracional e atração de investimento jovem.

O programa prosseguiu com a mesa-redonda “Os Novos Desafios da Agricultura Algarvia e os seus Constrangimentos”, moderada pelo jornalista Paulo Gomes, da Voz do Campo, reunindo representantes da FEDAGRI, CONFAGRI, CAP, AJAP e AlgarOrange. O debate trouxe à discussão constrangimentos no terreno e preocupações das organizações e produtores, com destaque para água, investimento, acesso ao financiamento, renovação geracional, competitividade e continuidade da atividade agrícola.

Foi reforçada a importância da agricultura e agroindústria como setores que contribuem para a coesão territorial, criação de emprego, fixação da população e valorização económica dos recursos endógenos do Algarve.

No encerramento, o Vice-Presidente da CCDR Algarve, Fernando Severino, sublinhou a necessidade de articulação entre entidades públicas, organizações do setor e agentes económicos para construir respostas aos desafios da agricultura algarvia, num contexto de profundas transformações e novas exigências de sustentabilidade, competitividade e adaptação às alterações climáticas.

O seminário contou com cerca de uma centena de participantes e permitiu cruzar diferentes perspetivas institucionais, técnicas e empresariais sobre o futuro da agricultura algarvia, contribuindo para uma reflexão sobre políticas públicas, investimentos e condições para garantir a sustentabilidade e competitividade do setor na próxima década.

A participação do Ministro da Agricultura e Mar e o envolvimento das principais organizações representativas reforçaram a dimensão institucional e setorial do encontro, promovido pela CCDR Algarve no âmbito da FATACIL 2026 e do programa AMAR A TERRA, dedicado à valorização da agricultura, do mar, da produção agroalimentar e dos recursos endógenos da região.

Fotos: CCDR

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