Entrevista ao secretário-geral da Associação dos Municípios Portugueses do Vinho (AMPV), José Arruda, na inauguração da 3ª edição do Lagoa Wine Show, certame que decorre ao longo do fim-de-semana no Centro de Congressos do Arade, no concelho de Lagoa, e que junta produtores de vinho de todo o país.

O Algarve Económico (AE) – Há quanto tempo existe a associação e como é que se iniciou este percurso?

José Arruda (JA) – A associação foi constituída a 30 de Abril de 2007, está, exactamente, a festejar o seu 10º aniversário.

Foi constituída por 18 municípios na Festa do Vinho do Cartaxo, na sequência de uma proposta do Município do Cartaxo para que trabalhássemos em rede a temática do vinho, seguindo, um pouco, o que já se fazia em diversos países da Europa, nomeadamente através de associações do género espanholas e italianas.

AE – Quantos municípios fazem, nesta altura, parte da AMPV?

JA – Neste momento, a associação tem 79 municípios. O ano passado foi aquele em que tivemos mais adesões, com a entrada de 5 novos municípios. Destaco a de Albufeira e também a de Vila Nova de Gaia, pela importância que tem nos vinhos do Porto e, sobretudo, na vertente do turismo e do enoturismo. 

AE – De uma forma geral, que actividade desenvolve a associação?

JA – Tem várias iniciativas que dão realce aquilo que são as actividades que os municípios promovem. Uma delas é, desde há 8 anos, a distinção “Cidade do Vinho”, que, como se sabe, no ano passado, foi atribuída a Lagoa e, este ano, a Madalena do Pico, nos Açores.

Participamos no Concurso de Vinhos internacional “La Selezione del Sindaco”, organizámos a edição de 2015 e vamos repetir essa experiência no próximo ano.

Estamos a lançar um projecto de redes das aldeias vinhateiras, a nível nacional. Encontramo-nos na fase de levantamento, feito município a município, de aldeias ou freguesias onde o tema do vinho é fundamental , descentralizando aqui um pouco a actividade da associação dos próprios municípios para as freguesias.

Temos tido um trabalho muito intenso ligado ao turismo que resultou na constituição da Associação Rotas dos Vinhos de Portugal, em 2014, e, posteriormente, a constituição da Associação Internacional do Enoturismo, com parceiros europeus e da América do Sul, como o Brasil, o Uruguai, o Chile. Estamos a trabalhar com eles e o objectivo é estendermo-nos também à América do Norte, à Austrália e à África do Sul.

Destaco, ainda, a nossa participação na Rede Europeia das Cidades do Vinho, que integra mais de 600 cidades, cuja presidência nos está entregue, desde Abril do ano passado.

Estamos, também, a trabalhar noutros projectos, quer  no âmbito de candidaturas directas da Rede e dos diversos parceiros europeus, quer no âmbito do enoturismo. Estamos, por exemplo, a fazer a revisão da Carta Europeia do Enoturismo, que é  um documento fundamental de promoção do que é hoje uma prática do turismo e do vinho.

AE – Como são recebidos os vinhos portugueses nesses fóruns internacionais em que a associação participa? São reconhecidos e apreciados lá fora?

JA –  Sim. Nós temos uma apreciação directa, através do concurso “La Selezione del Sindaco”, em que temos ganho cada vez mais prémios, também participando com mais vinhos. São prémios atribuídos através do método de prova cega, o que atesta a qualidade dos nossos vinhos, que estão a competir com alguns dos melhores do mundo. 

Depois, no âmbito da associação, da própria rede europeia e do trabalho com as associações espanhola, italiana e  francesa é reconhecido o trabalho da AMPV, como sendo das mais dinâmicas da Europa e isso reflecte-se na presidência que nos foi entregue da própria rede e no papel importante que, a vários níveis, temos nestas redes internacionais.

AE – O facto de haver tantos municípios que fazem parte da associação significa que há cada vez um empenho maior da parte deles em tendo como base as tradições, a actividade e a vertente económica associadas ao vinho?

JA – Sim. Nós sabemos das dificuldades que os municípios têm atravessado, nos últimos anos, o que os levou a deixarem de pertencer a muitas associações que existem por acharem que não tinham capacidade financeira para estarem em tantas.

No entanto, tem acontecido o contrário em relação à AMPV, temos vindo a crescer todos os anos, o que demonstra que os municípios estão interessados em participar e se envolverem, cada vez mais mais, nesta temática e reconhecem o papel positivo que temos desenvolvido.

Dou-lhe um exemplo do que aconteceu em Março na Gala da “Cidade do Vinho”, no Pico, nos Açores. Quando foi feita a escolha, havia cinco candidaturas muito fortes, do Douro, região Centro e Lisboa e optou-se pelo Pico porque achámos que era importantíssimo promover e divulgar aquilo que é feito, neste momento, nas ilhas, nos Açores e, nomeadamente, no Pico.

E com a Gala tivemos oportunidade de levar uma delegação do Continente de 54 pessoas, entre as quais 38 presidentes de câmara. Acho que isto é, também, uma forma de darmos a conhecer o trabalho que cada um de nós está a realizar e aqui, em concreto, o trabalho muito difícil que o município do Pico está a fazer, por se situar numa ilha, com as dificuldades adicionais que essa circunstância provoca.

Esse é, seguramente, um contributo que a associação está a dar, ao nível da promoção dos vinhos do país. No ano passado, isso foi feito em relação ao Algarve, com a candidatura de Lagoa, que penso que ajudou muito na promoção dos vinhos  e dos territórios algarvios ligados ao vinho.

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