Da importância e força que o sector turístico possui, a nível económico, na região algarvia, resultam efeitos positivos para algumas outras áreas de atividade, mas também problemas, pressões e desafios.

Esta foi uma queixa muito ouvida no decorrer da conferência «Sector Agrícola no Algarve», que decorreu em Loulé, na Sexta-feira, 22 de Junho.

Um dos intervenientes, o empresário Luís Sabbo, referiu que, nesta altura do ano, precisa de pessoal, mas não consegue contratar, exactamente por o turismo ter uma muito maior capacidade de atração perante os potenciais trabalhadores.

Em face disso, resta virar-se para os imigrantes, mas aí coloca-se a questão de saber se estão legalizados, de forma a que possam ser contratados. E o problema, lamenta este jovem empresário, é que vai tentar informar-se aos competentes serviços público e não lhe dão essa informação, mas “se amanhã forem lá fazer uma inspeção já sabem dizer se as pessoas estão legais ou não”, podendo daí resultar pesadas multas e até, eventualmente, outro tipo de penalizações para quem os tem a trabalhar.

Outro dos problemas colocados pelo turismo é a valorização de muitos terrenos, o que leva a que acabem por não ser rentáveis como explorações agrícolas.

E há ainda uma questão essencial em que os dois sectores podem ‘chocar’: o da água. Este empresário gostava que houvesse uma definição por parte do poder político: “se, em Agosto, faltar água a sério, vai-se cortar no turismo ou na agricultura?” Trata-se, admite, de uma pergunta que exige uma resposta muito difícil e para que a opção nunca tenha de ser tomada é da opinião que é importante e urgente que “sejam criadas mais reservas de água”.

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