Entrevista a Luís Matos Martins, da empresa «Territórios Criativos», responsável pela gestão da recém-inaugurada incubadora de empresas «Startup Portimão», sediada nas instalações do Autódromo Internacional do Algarve.

Algarve Económico (AE) – Quantas pessoas e empresas pode receber esta incubadora? 

Luís Matos Martins (LMM) – Neste momento, temos capacidade para 40 postos de trabalho, divididos por 12 salas. Os empreendedores que aqui se instalem podem ficar com uma sala só para a sua empresa ou dividir o espaço com outros empreendedores ou empresários. Mas há possibilidade de aumentar a capacidade.

AE – Já há empresários e empreendedores interessados em vir para estes espaços ?

LMM – Nas últimas semanas temos tido muita procura e, a partir dos próximos dias, vamos começar a fazer selecção dos empreendedores para que rapidamente tenham condições para começar a trabalhar. A partir de Setembro vamos começar a desenvolver eventos semanais ou quinzenais, de acordo com as necessidades e, depois, em Fevereiro/Março, vamos ter um programa de formação de empreendedores.

AE – A vossa ideia é captar empreendedores só de Portimão e do Algarve ou também de outros pontos do país?

LMM – Queremos captar empreendedores de Portimão, do Algarve, do país e até de fora de Portugal e estamos a trabalhar com o Autódromo do Algarve nesse sentido. Aliás, ainda há pouco, na sessão de inauguração, falei com dois empreendedores que trabalham para uma startup internacional que querem instalar-se aqui.

AE – O facto desta incubadora se localizar fora de qualquer núcleo urbano pode criar dificuldades às pessoas que queiram vir instalar-se aqui e à concretização do projecto?

LMM – Há vários exemplos deste tipo de equipamentos fora dos grandes centros, no estrangeiro e até um muito conhecido em Portugal, que é o Tagus Park, que era longe de Oeiras e permitiu conectar o centro ao interior e desenvolveu actividades empresariais e comerciais nesse eixo.

Há tanto para potenciar aqui com o Autódromo do Algarve que vejo esta situação mais como uma oportunidade do que como uma dificuldade. Para além disso, há várias soluções para ‘vencer’ a distância. Por exemplo, a presidente da Câmara já disse que o transporte urbano de Portimão, o Vai e Vem, irá chegar ao Autódromo.

Por outro lado, para quem vem de fora de Portimão, há as vias rápidas que tornam, provavelmente, mais rápido e fácil chegar aqui do que à cidade.

AE – Em termos de áreas de actividade, têm algumas específicas a que dêem prioridade ?

LMM – Não vamos entrar num critério altamente selectivo, mas temos que seguir uma linha de orientação estratégica. Neste momento, pela nossa análise, não havia nenhuma incubadora em Portugal ligada às cidades inteligentes (Smart Cities) e apostamos nessa área.

O facto da incubadora estar integrada Autódromo Internacional do Algarve remete para uma série de áreas, ligadas, por exemplo, à mobilidade, ao ambiente, ao turismo e à qualidade de vida. É com base destas áreas que estamos a desenvolver a incubadora, mas naturalmente que se aparecer um projecto empreendedor de fora de qualquer dessas áreas, que queira fixar-se aqui vamos fazer tudo para que fique aqui connosco. No entanto, temos estas áreas estratégicas, até para posicionar a incubadora.

AE – Qual é a experiência que a vossa empresa tem nesta área?

LMM – Neste momento, estamos envolvidos em incubadores em Vouzela, Alvaiázere, Loures, Mafra e Ericeira. Estivemos ligados a outras, como a do ICTE ou DNA Cascais e, portanto, temos um grande capital de conhecimento nesta área específica. Estamos, igualmente, envolvidos em projectos de apoio a cerca de três dezenas de municípios ao nível do empreendedorismo, formação e financiamentos.

 

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