A partir do próximo dia 18, o Algarve passa a estar em grande destaque no horário nobre da SIC. É nesse dia que estreia a novela “Paixão”, que já começou a ser filmada, há cerca de mês e meio, em diversos pontos da região. Se tiver o sucesso que se espera, as paisagens algarvias vão manter-se no écran da SIC ao longo de um ano, disse, em entrevista ao ‘O Algarve Económico’, Jorge Marecos Duarte, administrador da empresa SP Televisão, que produz a novela.

Algarve Económico (AE) – Como é que surgiu a oportunidade de filmar esta novela no Algarve? 

Jorge Marecos Duarte (JMD) – Surgiu da necessidade premente que nós sentimos de sair de Lisboa, de levar a ficção a outros pontos do país. Isso só é possível com apoios, pois é uma operação logística muito grande trazer uma novela para o Algarve. Isso foi possível porque houve concelhos do Algarve que apoiaram a iniciativa.

AE – Foi fácil conseguir esses apoios?

JMD – Havia presidentes de Câmara que estavam abertos a isso. Nós explicámos quais eram as nossas necessidades logísticas, não só aos presidentes, mas também a grupos empresariais, e deram-nos o apoio que nos permitiu vir até aqui.

AE – Quais são as Câmaras que estão a apoiar a novela?

JMD –  Vila do Bispo, Olhão, Loulé, Faro, Tavira e Albufeira.

AE – A novela já está a ser gravada?

JMD – Está a ser gravada há cerca de mês e meio. Vai ser estreada no próximo dia 18 de Setembro no prime time da SIC, é a grande aposta da estação e pensamos que vai ser uma boa continuadora do sucesso de Amar Maior.

AE – Quanto tempo vão ficar a gravar no Algarve?

JMD – Vamos ficar a gravar durante muitos meses, uma vez que as cenas de exteriores são todas no Algarve, enquanto as de interiores são feitas em Lisboa.

AE – Quantos pessoas estão envolvidas na novela?

JMD – Entre actores e técnicos serão à volta de três centenas.

AE – Que expectativas tem quanto às audiências?

JMD – Queremos que a novela seja um sucesso, o que implica resultados semelhantes aos de ‘Amor Maior’, que tem sido um grande sucesso e nós pensamos que esta novela tem condições para se manter a esse nível.

Sentimos-nos sempre na obrigatoriedade e com a pressão de ter sucesso. Isso é fundamental não só para nós mas, de uma forma geral, para a ficção nacional. Temos uma grande consciência que é fundamental para a ficção nacional existir que as pessoas gostem dela e a vejam.

AE – O interesse do público é cíclico, há alturas em que consome novelas brasileiras, outras em que prefere as portuguesas. Nesta altura, sente que há grande interesse pela ficção nacional?

JMD – Eu diria que estamos numa fase de ficção portuguesa. Há um caminho que se tem vindo a fazer. Este tipo de produto foi popularizado através das novelas brasileiras, nos anos 80. A ficção portuguesa em boa hora aí arrancou, foi fazendo o seu caminho e tem-se vindo a afirmar junto do público português.

As pessoas gostam de ver a ficção dos países em que vivem. Porque é que as novelas brasileiras têm tido menos sucesso em Portugal? Não são mais mal feitas do que eram, pelo contrário. Tem a ver com a empatia que se estabelece com o público, que gosta de ver situações que conhece, da sua rua, dramatizadas no pequeno écran. Está seguramente mais disponível para seguir uma história que se passa em Sagres do que numa povoação a norte de Curitiba.

Evidentemente que temos de ter consciência de um problema grande que é a massa crítica do nosso mercado, somos só 10 milhões de pessoas, é um mercado relativamente exíguo, pelo que há a obrigatoriedade de chegar ao maior número de pessoas, de forma a termos sucesso.

AE – Não tem sido possível exportar este tipo de produtos?

JMD – Vendemos novelas para muitos países, desde a Itália à Turquia, passando pela América do Sul, México, Colômbia, entre muitos outros. Não se pode desprezar, obviamente, a importância da exportação, mas é essencial para a existência da ficção portuguesa ter sucesso junto do público nacional.

AE – Se as coisas correrem como esperam, quanto tempo é que a novela poderá ficar no ar?

JMD – Aproximadamente um ano.

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