A discussão sobre a situação financeira da Câmara dominou o debate autárquico de Loulé, promovido pela Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL), em colaboração com o Canal Algarve.

O debate, que teve lugar no Convento do Espírito Santo, esta Segunda-feira, 25 de Setembro, juntou os candidatos à presidência da Câmara do PS, Vítor Aleixo; da coligação “Todos pela Nossa Terra” (PSD/CDS/MPT), José Graça; do Bloco de Esquerda, Joaquim Sarmento Guerreiro e da CDU, António Vairinhos Martins.

A discussão de mais de hora e meia ficou marcada pelo lançamento, sobretudo por Vítor Aleixo e José Graça, de muitos números, tentando cada um deles provar que governou melhor o concelho do que o outro.

José Graça acusou o seu oponente de “má gestão”, pelo facto de só ter investido, ao longo do mandato, cerca de 40% da verba que tinha disponível para o efeito. Isto, apesar de ter fechado o ano de 2016 com cerca de 75 milhões de euros no banco.

Também criticou o facto do actual presidente da autarquia não ter pago, no final de 2013, o empréstimo feito no âmbito do Plano de Apoio à Economia Local (PAEL), o que teria como consequência a possibilidade de baixar taxas municipais.

Vítor Aleixo respondeu que esse empréstimo tinha sido contraído pelo executivo PSD, de que José Graça fazia parte, sendo, na altura vice-presidente, devolvendo-lhe, por essa razão, a acusação de “incompetência”.

O candidato socialista referiu ter “muito orgulho na minha gestão”, reclamou para si e a sua equipa os louros da recuperação económica e garantiu que tem projectos para os próximos quatro anos para gastar o dinheiro que está disponível.

Sobre esta matéria, o candidato do Bloco de Esquerda, Joaquim Sarmento Guerreiro, considerou que no passado, na gestão do PSD, “houve excesso de gastos”, o que levou à necessidade de um resgate financeiro, que trouxe ao município “encargos elevadíssimos”. Este candidato acabaria mesmo por comparar a gestão levada a cabo pela equipa de que José Graça fazia parte com a desenvolvida por José Sócrates no país.

Mas também a gestão de Vítor Aleixo não escapou às suas críticas. O candidato bloquista lamentou que “situação folgada que tivemos no município não fosse aproveitada para conseguir melhorar um conjunto de situações”, ao nível, entre outros, do apoio social e da habitação.

Na sua opinião, enquanto que na gestão de José Graça houve excessos, na de Vítor Aleixo, pecou-se por defeito, fez-se “poucochinho”.

Sobre esta questão, o candidato da CDU, António Vairinhos Martins, optou por defender “maior investimento público, sem haver desequilíbrio financeiro”. Esse investimento, defendeu, deve ser canalizado para políticas sociais e para esbater os “grandes contrates” que existem entre o interior e o litoral e mesmo dentro do litoral, em que existem “grandes empreendimentos de luxo” a par de zonas que “não têm saneamento básico”.

A polémica da conclusão da Circular Norte
Outro dos temas de polémica teve a ver com a solução encontrada para a conclusão da Circular Norte. Fazendo o historial do processo, Vítor Aleixo referiu que está há dois em negociações com o Governo do PS, porque, anteriormente, com o do PSD “nem havia diálogo possível”.

Os constrangimentos financeiros que o executivo de António Costa enfrenta fizeram com que o poder central não abrisse os cordões à bolsa, pelo que teve de ser a autarquia a chegar-se à frente, assumindo o custo da conclusão daquela via, que, em vez de 4, terá apenas 2 faixas.

José Graça lembrou que há um compromisso assumido com o poder central, que o deve honrar, pelo que não faz sentido ser a autarquia a assumir com os custos. O facto de não ter conseguido isso é “mais uma prova de fraqueza de Vítor Aleixo”, acusou.

Um dos raros pontos de consenso que parece existir entre todos os candidatos é que é preciso fazer mais ao nível da habitação social, uma área na qual se comprometem a investir mais fortemente, caso sejam eleitos.

Também relativamente à necessidade de suprir muitas das carências do interior do concelho há concordância geral, embora, também aqui, Vítor Aleixo e José Graça tenham ideias diferentes sobre como isso deve ser feito.

O candidato do PS defendeu a criação de condições para a instalação de pequenas e médias unidades agrícolas, florestais e turísticas, que criem riqueza, postos de trabalho e garantam melhores condições a quem aí vive e rejeitou levar o modelo utilizado no litoral para o interior, pois isso “seria um desastre.”

José Graça tem uma visão diferente sobre esta questão, defendendo que a resolução de muitos dos problemas do interior passam pela instalação de investimentos de maior dimensão que, para além de valerem por si próprios, acabarão por provocar o aparecimento de negócios mais pequenos.

Se for eleito, este candidato compromete-se a criar uma equipa que tem como missão ajudar à instalação no concelho de grandes investimentos.

Da parte do candidato da CDU pediu-se mais investimento público no interior em “coisas básicas como o saneamento e os transportes”, enquanto que o do Bloco pôs sobre a mesa a proposta de criação de um grupo de missão para estudar as potencialidades do interior.

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