Dionísio Pestana, o dono do maior grupo hoteleiro do país, esteve no Algarve para participar na sessão que marcou o início da construção de um novo hotel, que ficará situado na zona de Alvor, no concelho de Portimão. Trata-se de um investimento de cerca de 50 milhões de euros, que vai permitir a edificação de uma unidade hoteleira de 5 estrelas para o segmento de all inclusive, que deverá abrir no Verão de 2019.

À margem do evento, Dionísio Pestana disse-nos porque resolveu avançar com este projecto e revelou não estar preocupado com eventuais efeitos negativos do Brexit porque os ingleses sempre vieram para o Algarve e não é agora que isso vai mudar.

O que é que o levou a fazer este investimento no concelho de Portimão?

Nós tínhamos este terreno, que estava destinado à imobiliária turística e com o êxito do Hotel Porto Santo no sistema de all inclusive de 5 estrelas e com a procura e pedido dos operadores, que nos diziam ser pena não haver um hotel daquele tipo no Algarve, comecei a pensar: tenho aquele terreno, está perto do mar, vou fazer contas, falar com as entidades e surgiu, então, este projecto, esta ‘criança’.

Não é um projecto com demasiada dimensão? Acha que vai conseguir absorver o número de turistas de que precisa?

Vai, por uma simples razão: por ser novidade. Em Lisboa e Porto têm aparecido hotéis com conceitos diferentes, mas no Algarve e na Madeira, os resorts estão estabilizados há muitos anos e há falta de novidade. O turista vai vendo e escolhe, muitas vezes, não só o destino como o produto. E, se um determinado produto não encaixa no destino, então ele muda de destino.

Vamos à procura de um nicho de mercado que já é grande. Este produto está na República Dominicana, nas Caraíbas, em Cabo Verde…  e é com este novo produto que queremos atrair novos clientes.

Na sessão de apresentação do projecto, a presidente da Câmara disse que este não seria o vosso último projecto em Portimão. Há mais alguma coisa na calha?

Não, mas estamos sempre à procura de oportunidades. Tudo o que for à beira-mar ou perto do mar estamos sempre abertos e interessados.

A nível geral, qual é a estratégia que está a ser seguida pelo vosso grupo?

É consolidar a nossa posição como nº1 em Portugal e aproveitar os espaços e as oportunidades que possam surgir. Não vamos deixar de investir, estamos neste negócio há 45 anos e é para continuar.

Em termos geográficos, onde é que estão a apostar mais, nesta altura?

Nas capitais europeias, a complementar a nossa base em Portugal. Vamos abrir um hotel em Amesterdão daqui a dois meses e estamos a construir dois em Madrid. Também estamos a apostar nos Estados Unidos, com a construção de dois hotéis em Nova Iorque.

Imagino que o vosso grupo viva muito do mercado britânico. Receia consequências negativas devido ao Brexit?

Não. Os ingleses sempre vieram para Portugal, vieram antes de haver União Europeia, vieram antes do Brexit e vão continuar a vir. Acredito que Portugal vai continuar a ser a segunda casa para esse mercado.

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