Entrevista ao presidente da Câmara de Lagoa, Francisco Martins, na inauguração da 3ª edição do Lagoa Wine Show, certame que decorre ao longo do fim-de-semana no Centro de Congressos do Arade e que junta produtores de vinho de todo o país.

O Algarve Económico (AE) – Que expectativas tem quanto a esta edição do Lagoa Wine Show?

Francisco Martins (FM) – Temos aqui produtores de todo o país, desde o Minho ao Algarve, passando, inclusivamente, pelos Açores, o que é, obviamente, uma demonstração que este já é um evento reconhecido, a nível nacional.

O Algarve Económico (AE) – Esta é a terceira edição deste certame. O facto de a terem organizado significa que fazem um balanço positivo das duas primeiras…

FM – Exactamente. Ao longo deste nosso mandato, temos feito uma aposta muito grande na divulgação do vinho enquanto elemento da nossa identidade e também por forma a conseguirmos uma diversificação da nossa economia.

Assumimos desde a primeira hora que ‘arrastaríamos’ connosco não só os vinhos de Lagoa, mas de todo o Algarve e é isso que temos vindo a fazer ao longo do destes três anos, participando em eventos quer a nível nacional quer internacional.

Obviamente que depois de Lagoa ter sido a Cidade do Vinho em 2016, mal seria se isso não deixasse a sua semente. Este é um evento para continuar nos próximos anos.

AE – Em relação ao projecto “Lagoa Cidade do Vinho 2016”, que balanço faz?

FM –  Foi uma experiência muito positiva. Conseguimos levar a imagem do nosso concelho a inúmeros países e cidades europeias. Estivemos em Paris, Londres, Berlim, em Barcelona e por aí fora, assim como pelo país inteiro.

Graças a isso temos hoje uma rede de contactos em torno desse sector que vai do Minho ao Algarve, inclusivamente uma relação muito grande também com Madalena do Pico, nos Açores. É uma boa forma de de fazer a divulgação do nosso concelho, mostrando que não temos apenas sol e praia, temos outras atractividades e o vinho é uma delas.

AE – O vosso objectivo principal com esta ligação ao vinho é promover o concelho ou ajudar a vender o vinho dos produtores locais?

FM – A Câmara não vende vinho, mas aquilo que tenho dito é que tenho de gerir financeiramente a Câmara e economicamente o concelho. Obviamente que tudo aquilo que ajude o tecido económico do concelho a evoluir, nós estamos lá, tal como já estivemos, no ano passado, em França numa feira do imobiliário, estamos, aliás, a preparar também  a realização de uma aqui.

Temos de diversificar a riqueza do concelho e não tendo a Câmara um interesse directo na venda do vinho, tem, obviamente, interesse, por um lado, na divulgação do concelho e, por outro, em dar um sinal aos investidores que nos escolhem que têm aqui um parceiro que não se limita a dar palmadinhas nas costas  e a dizer-lhes ‘ainda bem que vieram’.

Acho que esse é o nosso papel e as coisas têm corrido bem, pois nos últimos três anos duplicou o número de produtores em Lagoa. Que tenhamos conhecimento, temos 6 produtores em actividade e um sétimo que deverá instalar-se em breve, o que contrasta com os três que havia quando chegámos.

E é curioso porque estão um pouco por todo o território, portanto, isso significa que em todo o concelho há terrenos aptos para a o cultivo da vinha.

As adegas que se instalaram aqui têm bons enólogos e há uma aposta muito forte em termos da qualidade do produto. O Algarve é pequeno, o concelho de Lagoa também, a produção é sempre pouca , portanto, nunca poderemos ter um concelho e uma região de grande produção e não tendo essa escala mais facilmente se aposta na qualidade do produto.

AE – Relacionada com o vinho, houve há pouco tempo um diferendo e, praticamente, um corte de relações com a Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA). Como é que está esse processo? É possível haver marcha-atrás ou é um corte definitivo?

FM – O corte de relações foi unilateral, a Câmara de Lagoa nunca cortou relações com ninguém e enquanto eu estiver à frente dos seus destinos não iremos cortar relações com nenhuma instituição. Quem cortou relações connosco foi a CVA, portanto, é uma pergunta que terá de ser feita a eles se têm vontade de voltar atrás na decisão que tomaram ou não.

Nós acolheremos, de braços abertos, todos aqueles que queiram trabalhar connosco. Agora não estou para alimentar egos.

AE – Relativamente ao espaço onde se realiza este certame, o Centro de Congressos do Arade, sabe-se que a sua situação financeira é, desde há longo tempo, muito complicada. Ultimamente, houve alguma evolução?

FM – Este é um espaço que tem sobrevivido ao longo deste três últimos anos graças ao esforço da Câmara de Lagoa. Isso é reconhecido por todos os parceiros que fazem parte do Centro de Congressos do Arade.

Temos feito uma aposta muito grande para que este espaço  não encerre, para que não caia. Como se costuma dizer, temos feito das tripas, coração, temos trazido para aqui um vasto conjunto de eventos, temos mostrado que há aqui um espaço digno e com todas a condições para acolher uma série de eventos.

Temos feito a nossa parte, é pena que estejamos a trabalhar praticamente sozinho e outros com grande responsabilidade que têm na situação a que isto chegou, pura e simplesmente, estão de costas voltadas.

AE – Só com o esforço da Câmara de Lagoa acha que é possível manter este espaço em funcionamento?

FM – Não, só com o esforço da Câmara, não.  Não é suficiente porque há um passivo muito elevado, despesas de manutenção e funcionamento consideráveis e, obviamente, que tem que haver aqui uma solução que todos os administradores, desde a Região de Turismo do Algarve às Câmaras e parceiros privados envolvidos, se envolvam para encontrar uma solução. Temos vindo a trabalhar nisso mas não é fácil porque acabámos por estar cinco ou seis a trabalhar no conjunto de uma vintena.

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