Entrevista ao presidente da Região de Turismo do Algarve, Desidério Silva, em que se abordam questões como o aumento do número de visitantes à região, o Brexit e os resultados da intervenção levada a cabo na Estrada Nacional 125.

Algarve Económico (AE) – Nesta altura, nem vale a pena perguntar como é que está o Algarve, em termos turístico, toda a gente vê que está cheio. Mas, em termos acumulados do ano, a região tem tido mais turistas que no ano passado? 

Desidério Silva (DS) – Sim, todos os indicadores são superiores: taxas de ocupação, proveitos, o movimento no Aeroporto de Faro e isso vai ter continuidade ao longo do resto do ano, até porque, por exemplo, para o mês de Outubro já temos mais reservas do que tivemos no mês homólogo do ano passado. Há hotéis que costumavam fechar na época baixa que já não o vão fazer, o que é um sinal muito positivo. Havendo procura, a oferta tem que dar resposta, e é isso que está a acontecer.

AE – No concelho de Albufeira registaram-se alguns problemas com turistas britânicos, na altura, como reacção a isso, você veio dizer que os hoteleiros locais tinham que definir que tipo de turismo queriam ter. Tratou-se de uma situação pontual ou há razões para grande preocupação e muita coisa deve ser mudada no turismo de Albufeira?

DS – O que eu disse foi que não se justifica que, numa altura em que a procura é forte, a oferta seja barata. Os próprios empresários, com a experiência que têm, seguramente que farão as correcções, em função da sua capacidade de oferta, até porque um destino turístico só se deve nivelar por cima e não por baixo. Portanto, é preciso que estes eventos tenham marcado e feito com que as pessoas possam perceber que aquilo que têm para vender vale muito mais do que o valor que por elas estão a pedir.

AE – O mercado britânico é o mais forte, no que ao Algarve diz respeito. A anunciada saída do Reino Unido da União Europeia pode vir a ter consequências negativas para a nossa região, a esse nível?

DS – O Brexit é um processo que acontecerá, mas o mercado inglês é o nosso principal mercado desde há muitas décadas e não deverá ter grandes oscilações quando se concretizar a saída do Reino Unido da União Europeia.

Os britânicos gostam do Algarve, a marca Algarve é muito forte naquele país e, portanto, aquele será sempre o nosso principal mercado, em termos de turistas, residentes, procura e estadia.

É, naturalmente, preciso olhar com atenção para esta questão, no sentido de se ir fazendo algumas correcções em domínios como a mobilidade e a fiscalidade, mas isso cabe ao Governo.

De uma forma geral, todos os mercados têm tido um grande crescimento, em especial, o francês, pelo que, mesmo que o mercado britânico tenha alguma quebra, isso dá-nos a garantia de que os outros compensam.

AE – Um aspecto importante para a região e para o sector turístico é a mobilidade. Que opinião tem do que já é possível ver das obras de requalificação da Estrada Nacional 125?

DS – Acho que há zonas que são uma aberração completa. Nesta fase não se deve mexer e estar a partir o que foi feito, mas há situações que devem ser corrigidas depois do Verão. Há lancis muito altos, há pinos no meio das vias e há zonas que tinham condições boas para se fazer ultrapassagens e isso já não é possível. Portanto, há questões que, tecnicamente, podem ser corrigidas e melhoradas. Os projectos técnicos são uma coisa, a realidade no terreno é diferente, e é preciso alguma sensibilidade para fazer correcções que se imponham.

 

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